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Câmara aprova urgência para Código de Defesa do Pagador de Impostos

O projeto de autoria do deputado federal Felipe Rigoni cria regras para proteger o contribuinte no Brasil

Economia|Do R7

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O deputado federal Felipe Rigoni (União-ES), autor do projeto
O deputado federal Felipe Rigoni (União-ES), autor do projeto

O Código de Defesa do Pagador de Impostos teve sua urgência aprovada nesta terça-feira (24), na Câmara. A proposta, de autoria do deputado federal Felipe Rigoni (União-ES) tem como objetivo impedir abusos cometidos contra o contribuinte no Brasil, como por exemplo, o cancelamento de CNPJ sem defesa prévia. O relator será o deputado federal Pedro Paulo (PSD-RJ)

"Em termos gerais, o mais importante é que a gente vai dar estabilidade jurídica para o pagador de imposto e o Fisco. Entre as medidas, por exemplo, na hora de fazer autuação, a Receita não poderá exigir pagamento de multa em 12 horas ou 24 horas. Terá que fazer a notificação primeiro, depois autuar, tendo cinco dias de prazo para a defesa prévia", explica Rigoni .

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Para ele, o mau pagador de imposto vai continuar sendo condenado e preso. Além disso, a medida acaba com a interpretação de normas tributárias. Segundo o deputado, são mais de 40 mil normas emitidas todos os anos. Rigonio acredita que o projeto será aprovado ainda no neste primeiro semestre.

Ele exemplifica com o Código Penal, que há prazo e um processo pré-estabelecido para a acusação, para defesa e julgamento. "Todo mundo que cometeu ou não algum tipo de infração tem um processo de defesa estabelecido, menos quem paga imposto. Mas agora vai ter", avalia.

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“É um projeto muito bom para nossa população. O contribuinte tem que ser respeitado. O que estamos buscando é apenas dar direitos para quem faz a máquina pública rodar”, afirma.

A proposta foi construída em conjunto com especialistas e discutida em reuniões ao longo de todo ano de 2021. O texto possui 37 artigos e se inspira no código de defesa do pagador de impostos dos Estados Unidos, chamado "Taxpayer Bill of Rights".

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O que muda com o projeto

1 - Marco de Instituição de taxas e impostos

Atualmente, não há nenhum requisito objetivo para a criação de impostos e taxas. Com o código, requisitos como a necessidade de estudo prévio da atividade que o Estado irá prestar ao contribuinte deverão ser apresentados.

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2 - Boa-fé do contribuinte

O poder público pode ser agressivo contra o pagador de impostos e às vezes pauta suas ações presumindo que o contribuinte age de forma errada. O clima entre fisco e pagador de imposto é péssimo e pretende-se estabelecer a boa-fé do contribuinte e o clima de cordialidade e colaboração entre receita e pagador de imposto.

3 - Autuação pela Receita depende de defesa prévia

A Receita Federal, quando acha que o pagador de impostos cometeu irregularidade, faz a autuação fiscal, sem possibilidade de defesa. O que o código propõe é criar a defesa prévia para que o contribuinte tenha mais um meio de se defender contra possíveis abusos do fisco.

4 - Grupos econômicos e devedores solidários

Com o novo código, não vai mais existir o chamado devedor solidário, aquele responsável por pagar uma dívida, caso o contribuinte não consiga.

5 - Proporção no pagamento do tributo

Hoje, se você possui 30% de uma empresa, você paga 100% de tributos. Com o novo código, o pagamento será proporcional. Ou seja, se o sócio tem 30% de uma empresa ele paga apenas 30% da dívida.

6 - A responsabilidade de terceiros às obrigações tributárias será solidária

Com o novo Código, para a Receita Federal poder cobrar de um subsidiário de uma empresa, ela primeiro precisa constatar que o sócio inadimplente que foi cobrado estava na impossibilidade de pagar. Apenas após isso ela poderá cobrar de outro subsidiário.

7 - Impedimento de acesso ao crédito e benefícios fiscais

Um dos maiores abusos do Estado contra o pagador de impostos é impedir que o empreendedor ganhe benefícios e incentivos fiscais apenas por ele estar questionando o tributo na justiça ou na Fazenda Pública. Ainda proíbem o pagador de impostos de participar de licitações e receber linhas de crédito. O código quer garantir a livre iniciativa e o livre exercício de atividade econômica.

8 - Taxa Selic aos créditos do pagador de impostos

Uma situação pouco notada da Fazenda é aplicar a taxa Selic (12,75%) a todos os seus impostos não pagos e o dinheiro que ela tem que devolver para o pagador de impostos é reajustado apenas pela poupança. Suas dívidas decolam de valor e seu dinheiro a receber não é nem reajustado pela inflação. No projeto apresentado, o crédito do pagador de impostos vai ser reajustado pela SELIC.

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