Caso Master: Banco Central liquidou oito instituições financeiras ligadas ao grupo
Encerramento das atividades de empresas envolvidas em escândalo começou em novembro, após divulgação de detalhes sobre esquema
Economia|Giovana Cardoso, do R7, em Brasília
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O caso do Banco Master desencadeou uma onda de novas liquidações de instituições financeiras no país, o que fez o BC (Banco Central) decretar a interrupção de outras oito delas de novembro até esta quarta-feira (18).
Naquele mês, o banco controlado por Daniel Vorcaro tinha R$ 80 bilhões em ativos, mas R$ 4 milhões em caixa. A suspeita de irregularidades cometidas envolve esquema de pirâmide, uso de empresas de fachada, triangulação por meio de fundos e oferta de carteiras fictícias de créditos.
Nesta manhã, o BC decretou a liquidação extrajudicial do Banco Pleno S.A. e da Pleno Distribuidora Títulos e Valores Mobiliário S.A. As instituições, consideradas de pequeno porte, apesar de relacionadas, não fazem parte do conglomerado Master.
Os negócios do Pleno eram chefiados por Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master que comprou as duas empresas — agora liquidadas — em meados de 2025.
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No fim de janeiro, Augusto estava entre os listados para prestar depoimento à PF (Polícia Federal), mas teve a oitiva cancelada. A medida se deu após a defesa do banqueiro avisar que ele ficariam em silêncio, pois não teve acesso aos autos do processo.
Em uma das operações da PF, policiais encontraram na casa de Augusto ao menos R$ 1,6 milhão em espécie e centenas de garrafas de vinhos caros. Entre as bebidas, havia um Chateau Petrus de 2006, com preço estimado em 4,5 mil de euros — equivalentes a cerca de R$ 28 mil, na cotação atual. O R7 tenta localizar os advogados do empresário.
No caso das demais instituições liquidadas, o Banco Central decidiu pelo encerramento das atividades delas devido a questões como “graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do SFN (Sistema Financeiro Nacional)” e “comprometimento da situação econômico-financeira” das empresas.
Saiba quais são as instituições liquidadas até o momento:
• Banco Pleno
• Banco Master
• Banco Letsbank
• Will Financeira S.A. Crédito
• Banco Master de Investimento
• Pleno Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliário S.A.
• Master Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários
• CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A. (Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A.)
Escândalo do Master
O Master cresceu rapidamente por meio da oferta de investimentos em CDBs (Certificados de Depósitos Bancários) com rentabilidade muito acima da média do mercado. Para sustentar o modelo, o banco teria assumido riscos excessivos, a fim de promover operações que “inflassem” o balanço financeiro da instituição.
Entre 2023 e 2024, o Master teria desviado cerca de R$ 11,5 bilhões por meio de triangulações, segundo investigações da PF e relatórios do BC. Os documentos também apontam para a ocorrência de um colapso não só financeiro, mas também institucional.
Em 18 de novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master, motivada por séria ”crise de liquidez” e “graves violações” às normas do SFN.
Plano emergencial no FGC
Com o impacto provocado pelos pedidos de resgate de investimentos aplicados no Banco Master, o FGC (Fundo Garantidor de Créditos) teve de aprovar um plano emergencial para recomposição de caixa.
O fundo garante que investidores com aplicações de até R$ 250 mil sejam ressarcidos em caso de problemas com instituições financeiras. Esse recurso é ativado para resgate de valores de contas-corrente, poupanças e dos seguintes investimentos: CDB, LCI, LCA, LCD e RDB.
Criado em 1995, o FGC é uma associação privada, sem fins lucrativos e integrante do SFN que atua na prevenção de crises bancárias sistêmicas, para proteger depositantes e investidores.
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