Economia Comércio bilateral com argentinos não é prioridade, diz Paulo Guedes

Comércio bilateral com argentinos não é prioridade, diz Paulo Guedes

Confederação Nacional da Indústria emitiu nota dizendo que Mercosul enfraquecido favoreceria entrada de produtos chineses no país

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Guedes manteve discurso sobre Mercosul

Guedes manteve discurso sobre Mercosul

Sergio Moraes/Reuters

O economista Paulo Guedes, principal assessor econômico do presidente eleito da República, Jair Bolsonaro, pediu desculpas na manhã desta terça-feira (30) pela forma como se dirigiu ao papel da Argentina na política de comércio exterior do futuro governo, mas voltou a afirmar que a prioridade da política econômica será o ajuste fiscal por meio de corte de gasto e não o comércio bilateral com os argentinos.

"O nosso foco, o nosso principal problema são os desequilíbrios internos, o excesso de gasto publico. Eu não quis em nenhum momento desmerecer a Argentina, o Mercosul. Eu quis dizer o seguinte: não é minha prioridade. A minha prioridade é o gasto público. Nada contra o Mercosul, nada contra a Argentina. Eu só disse que não é a nossa prioridade. Como eu estava afogado, com muito microfone em cima, disse que não era prioridade", afirmou Guedes, ao chegar para reunião entre Bolsonaro e seus principais assessores, na casa do empresário Paulo Marinho, na zona sul do Rio.

Após a confirmação da eleição de Bolsonaro no domingo (28) Guedes afirmou que o Mercosul e a Argentina não eram prioridade do futuro governo, ao responder a pergunta de jornalista do jornal Clarín.

CNI critica

A CNI (Confederação Nacional da Indústria) divulgou nota nesta terça-feira dizendo que o novo governo terá que fortalecer o Mercosul, sob pena de favorecer ainda mais a entrada de produtos chineses. 

"Se o governo brasileiro não der prioridade ao Mercosul, ou ainda pior, se reduzir a Tarifa Externa Comum de forma unilateral, o único ganhador é a China, que já vem tomando o mercado brasileiro em toda a América do Sul", diz a nota divulgada pela CNI. "Pequenas e médias empresas, que exportam mais para esses países, serão as mais afetadas."

A CNI lembra que a Constituição Federal estabelece, em seu artigo 4º, os princípios de atuação do Brasil nas relações internacionais. Entre eles, está a integração econômica dos países da América Latina. Em seu discurso após a divulgação do resultado das urnas, Jair Bolsonaro repetiu que obedecerá à Constituição.

A entidade da indústria defende o fortalecimento do Mercosul e o aprofundamento da agenda de integração regional. "O bloco é um complemento do mercado doméstico brasileiro e é o destino de exportação no qual a indústria tem maior participação", diz a nota.

Entre as propostas para a área elaboradas pela CNI e entregues aos presidenciáveis durante a campanha eleitoral, é sugerido que o governo trabalhe em quatro áreas fundamentais: estabilidade macroeconômica; livre circulação e integração intrabloco, com inclusão de açúcar e automóveis no livre mercado; política comercial frente a terceiros e agenda externa de acordos; e o aprimoramento institucional do bloco.

"O Mercosul ficou uma década sem avançar na agenda econômica", diz a CNI. Mas a entidade nota que as negociações foram concretamente retomadas em 2017,com a introdução dos acordos de compras governamentais e facilitação e proteção de investimentos no âmbito do bloco.

Em sua edição desta terça, o jornal O Estado de S. Paulo traz artigo do ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, relatando a retomada da agenda econômica do Mercosul.

Na equipe de Bolsonaro, o bloco vem sendo criticado como se nada tivesse acontecido desde o governo de Dilma Rousseff, o que não é verdade.

A nota da CNI defende as relações do Brasil com os sócios no Mercosul, principalmente a Argentina. "É para onde o Brasil exporta produtos de alto valor agregado e onde possui diversas multinacionais", diz a nota. "Além disso, o setor automotivo brasileiro é integrado em cadeia de valor com o setor automotivo argentino."