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Complexo Petroquímico deve ter mais mil demissões

Desde janeiro, mais de 5.000 trabalhadores foram desligados do projeto

Economia|Do R7

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O consórcio negocia com a Petrobras a liberação de aditivos sobre o valor do projeto, inicialmente orçado em R$ 511 milhões
O consórcio negocia com a Petrobras a liberação de aditivos sobre o valor do projeto, inicialmente orçado em R$ 511 milhões

Principal obra do Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro), a construção de redes de tubulação foi paralisada pelo Consórcio Tubovias, formado pelas empresas Andrade Gutierrez, GDK e MPE. O consórcio negocia com a Petrobras a liberação de aditivos contratuais sobre o valor do projeto, inicialmente orçado em R$ 511 milhões.

A interrupção foi comunicada nesta quinta-feira (22) a funcionários e sindicatos de trabalhadores, e a previsão é que entre 800 e mil pessoas sejam demitidas. Desde janeiro, mais de 5.000 trabalhadores foram desligados do projeto e as principais obras foram paradas.

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O contrato do Consórcio Tubovias terminou em agosto, mas já havia um aditivo de prazo em vigor para garantir a continuidade das obras. Agora, o consórcio solicitou à direção da estatal uma nova revisão do contrato, referente ao valor do projeto.

Segundo fontes próximas à negociação, ao longo de toda a semana, representantes do consórcio e da Petrobras se reuniram para discutir o aditivo, sem chegarem a um acordo. O principal impedimento seria o recadastramento de fornecedores da estatal: todos os integrantes do consórcio são investigados na Operação Lava Jato e foram bloqueados pela petroleira.

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Em reunião, nesta quinta-feira, com funcionários, representantes do consórcio informaram que a decisão visava evitar novos custos contratuais sem previsão de ressarcimento. "Informaram que não tinham como manter os trabalhadores sem contrato. A direção da Petrobras está enrolando. O novo programa de conformidade tem muita burocracia e auditorias para evitar processos de sobrepreço", explicou o vice-presidente do Sintramon (Sindicato dos Trabalhadores Empregados nas Empresas de Montagem e Manutenção Industrial do Município de Itaboraí), Marcos Hartung.

Aditivos

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Segundo fontes próximas às negociações, "em situação normal", as discussões sobre aditivos levam até quatro meses para aprovação na diretoria da estatal. Diante da crise financeira da empresa, que excluiu a conclusão do Comperj de seu portfólio de investimentos até 2019, a avaliação é que a paralisação pode ser prolongada. Procurado, o consórcio informou que não se pronuncia sobre o tema, que seria de responsabilidade da estatal. A Petrobras, por sua vez, ainda não se manifestou.

Obra

O consórcio assumiu a obra em 2013, sob liderança da construtora Andrade Gutierrez. O projeto prevê a construção de 4,5 quilômetros de tubulação para interligar todas as unidades do Comperj. O contrato original da obra, entretanto, foi firmado em 2011 com a MPE, ao custo de R$ 731 milhões.

Dois anos depois, a empresa atrasou a obra e alegou dificuldades para cumprir o contrato, que foi licitado novamente. Assim como a Andrade Gutierrez, a MPE é investigada na Operação Lava Jato. Antes, em 2012, o TCU (Tribunal de Contas da União) já havia identificado superfaturamento de R$ 163 milhões no contrato. A empresa está bloqueada de novas licitações da estatal.

De acordo com Marcos Hartung, a situação é a mesma nas outras duas obras em curso no Comperj. O Consórcio TUC, responsável pelas centrais de energia, vapor e tratamento de água, aguarda desde maio uma posição sobre aditivos. O consórcio, formado pelas empresas Toyo, UTC e Odebrecht, também reduziu o efetivo, assim como o consórcio CPPR, com Odebrecht, UTC e Mendes Junior.

As empresas mantêm as obras desde abril sem receber aditivos, e iniciaram demissões em julho. Os contratos somam mais de R$ 3 bilhões. Todas as empresas são investigadas por corrupção. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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