Concentração bancária no Brasil tem leve queda em 2018, aponta BC

Banco Central aponta que as fintechs ainda têm baixa representatividade no País. Expectativa é que haja um crescimento significativo dessas empresas

Concentração bancária no Brasil tem leve queda

Concentração bancária teve leve queda

Concentração bancária teve leve queda

Pedro Franca/Brazil Photo Press/Folhapress - 15.04.2019

O Banco Central apontou que a concentração bancária no Brasil teve leve queda em 2018, com as cinco maiores instituições — Banco do Brasil, Itaú, Bradesco, Caixa Econômica Federal e Santander — detendo 81,2% dos ativos totais do segmento bancário comercial, ante 82,6% em 2017.

Em seu Relatório de Economia Bancária, o BC (Banco Central) apontou ainda que esse grupo passou a responder por 84,8% das operações de crédito no segmento, sobre 85,8% anteriormente. Em relação aos depósitos totais, houve queda para 83,8% do total, sobre 85% em 2017.

No documento, o BC chamou a atenção para a queda na fatia detida por BB (Banco do Brasil) e Caixa de 2016 a 2018.

"Para o segmento bancário comercial ... essa participação decresceu de 40,3% para 38,1% nos ativos totais; de 50,2% para 40,2% nos depósitos totais; e de 50,6% para 48,0% nas operações de crédito", pontuou.

Na véspera, o BC já havia adiantado parte do material publicado na íntegra nesta terça-feira (28), indicando que o spread bancário está mais correlacionado com concorrência do que com a concentração do setor no país.

Em outro box do mesmo relatório divulgado na semana passada, o BC também apontou que a inadimplência é o principal componente do spread bancário e que, para baixar o spread, há necessidade de melhorar o processo de recuperação de garantias no sistema financeiro.

De acordo com o relatório, o componente de inadimplência diminuiu seu peso relativo no spread do ICC (Indicador de Custo de Crédito) em 2018, mas seguiu na dianteira na comparação com as demais variáveis, com percentual de 33,6%.

Ele foi seguido pela representatividade das despesas administrativas (28,2%), dos tributos e Fundo Garantidor de Crédito (21,6%) e da margem financeira do ICC (16,7%).

Em 2017, o componente de inadimplência havia mostrado um peso maior (38,9%), ao passo que a margem financeira do ICC havia sido menor (14,1%).

Fintechs

O BC destacou no relatório que as fintechs ainda têm baixa representatividade no Brasil, mas afirmou que a expectativa é que haja um crescimento significativo dessas empresas, "tendo em conta o volume de pleitos de constituição recebidos e em análise".

No universo das fintechs, 10 IPs (Instituições de Pagamento) estavam autorizadas a operar em dezembro de 2018, e apenas uma nas modalidades de SCD (Sociedade de Crédito Direto) e SEP (Sociedade de Empréstimo entre Pessoas).

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O BC também trouxe um box no relatório em que tratou especificamente sobre sua decisão, em agosto de 2018, de aprovar a compra pelo Itaú de 49,9% do capital social total da XP Investimentos, com possibilidade de compra adicionallimitada a 12,5% desse capital em 2022.

"A análise efetuada pelo BCB (Banco Central do Brasil) reafirma a necessidade de que a abordagem de atos de concentração seja voltada tanto para os aspectos quantitativos quanto para os aspectos qualitativos de cada situação, devendo ser atribuída especial atenção às consequências que a operação pode produzir sobre os mercados afetados e sobre os mercados correlatos, de modo a mitigar, inclusive por meio de medidas compensatórias, o risco de consolidação, ao longo do tempo, de estruturas em que as condutas prejudiciais ao ambiente concorrencial se mostrem mais prováveis", disse.