Confiança dos consumidores supera a dos empresários pela primeira vez desde 2020
Na última vez em que o otimismo das famílias era maior que o dos gestores o mundo era marcado pela primeira onda da Covid-19
Economia|Do R7

O movimento de estabilidade da confiança empresarial e alta do otimismo dos consumidores faz os índices se cruzarem pela primeira vez desde abril de 2020, mostra um compilado de indicadores divulgado nesta sexta-feira (4) pela FGV (Fundação Getulio Vargas).
Na última vez em que a confiança dos consumidores superou a dos empresários, o mundo era marcado pela primeira onda da Covid-19, o que fez o otimismo dos gestores desabar em maior intensidade. "Antes daquele evento isolado de 2020, a confiança do consumidor havia superado a empresarial de forma mais frequente entre 2011 e 2014", diz o estudo.
Influenciada por piores avaliações sobre o nível de demanda atual, a queda do ISAE (Índice da Situação Atual Empresarial) foi determinante para o indicador. Já as expectativas dos empresários voltaram a piorar, após uma sequência favorável entre abril e junho.
Apesar de certa resiliência no curtíssimo prazo, com previsões ainda boas para as contratações, há preocupação com relação às perspectivas para a situação dos negócios no horizonte de seis meses, o mais longo da pesquisa.
As expectativas empresariais também pioraram em julho após alguns meses em alta. A queda reflete o ritmo ainda morno de atividade nos segmentos cíclicos e a dificuldade do setor produtivo em prever uma recuperação no horizonte de seis meses.
Consumidores
Diferentemente do que acontece com os empresários, as expectativas dos consumidores avançaram para o maior nível desde janeiro de 2019. Embora a percepção sobre a situação atual siga baixa, em 76,8 pontos, ela tem o maior nível desde março de 2020.
A alta foi disseminada entre os quesitos da pesquisa, com destaque para os indicadores de situação econômica geral e situação financeira futura da família. De acordo com a FGV, os resultados refletem o arrefecimento da inflação, a recuperação da renda do trabalho e as expectativas quanto ao início de programas voltados para a quitação de dívidas.
Em julho, a confiança dos consumidores não cresce somente para as famílias de menor poder aquisitivo (até R$ 2.100), em que houve estabilidade. O otimismo das famílias de maior poder aquisitivo (acima de R$ 9.600) atingiu o maior nível desde janeiro de 2014.
Setores
Em julho, o Índice de Confiança da Indústria registrou o menor nível desde julho de 2020 (89,8 pontos), ainda durante a primeira onda da pandemia. A confiança do Comércio também perdeu fôlego após a alta acumulada em 10,6 pontos nos meses de maio e junho.
No sentido oposto, o Índice de Confiança dos Serviços acumula 8,9 pontos de alta nos últimos cinco meses e atinge o maior nível desde setembro de 2022 (101,7 pontos). Já o índice de construção oscila em torno dos 95 pontos desde o final do ano passado.














