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Consumidores cortam gastos e supermercados esperam nova queda de vendas neste ano

Para 2016, o setor espera que as vendas recuem 1,8% com o crescimento do desemprego

Economia|Do R7

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Brasileiros reduziram o consumo de produtos antes tidos como símbolos da ascensão da chamada classe C
Brasileiros reduziram o consumo de produtos antes tidos como símbolos da ascensão da chamada classe C

Após se voltarem a marcas mais baratas e trocarem supermercados por atacarejos para tentarem manter o padrão de consumo, os brasileiros a partir do fim do ano passado reduziram o consumo de produtos antes tidos como símbolos da ascensão da chamada classe C, tendência que deve se repetir em 2016.

Produtos como iogurte tiveram queda de vendas em volume de 1,4% no acumulado de janeiro a outubro de 2015, após crescimento de 3,4% em 2014, segundo dados da empresa de pesquisa de mercado Nielsen divulgados nesta quarta-feira.


Em evento da Abras (Associação Brasileira de Supermercados), a gerente de atendimento da Nielsen no Brasil, Lenita Mattar avalia que a redução no consumo de algumas categorias de produtos acontece pela primeira vez desde o início da ascensão da classe C.

— A situação estava apertando e o consumidor queria preservar seu padrão de consumo o máximo possível ao trocar para produtos de marcas mais baratas, mas agora apertou de tal forma que ele está começando a sacrificar algumas coisas, como iogurte.


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A Nielsen não tem a compilação dos dados até o final de 2015. Mas segundo Lenita, a tendência de restrição ao consumo deve continuar em 2016, diante das perspectivas de crescimento do desemprego.

Na avaliação da Abras, a taxa de desemprego deve subir para 10,2% neste ano, o que vai fazer o setor amargar um segundo ano consecutivo de queda nas vendas reais, algo que nunca aconteceu pelo menos desde 2001.


Em 2015 o faturamento dos supermercadistas do País caiu 1,9%, primeiro recuo anual desde a queda de 1,59% de 2006. Para 2016, a perspectiva é de baixa de 1,8%.

De acordo com o vice-presidente da Abras, Márcio Milan, em um ano, o setor voltou a ”um patamar de desemprego de seis anos atrás".

— Com uma taxa de desemprego de 10,2%, é muito difícil ter um resultado positivo este ano.

Segundo ele, as vendas de janeiro deste ano contra o mesmo mês de 2015 também devem mostrar retração diante da forte base de comparação. Em janeiro de 2015, as vendas reais haviam tido alta de 3,42% no comparativo anual.

Considerando apenas dezembro, o setor teve queda de 4,4% nas vendas reais sobre mesmo mês de 2014.

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Diante do cenário, Milan afirmou que a margem de lucro das empresas do setor neste ano deve cair, pressionada pela necessidade dos varejistas de reforçar promoções para girar estoques. Além disso, as expansões de lojas do setor devem recair sobre os formatos de atacarejo e de proximidade.

— Esperamos que possa haver uma solução para a crise política, de modo a melhorar a confiança de consumidores e empresários no segundo semestre.

Ele citou ainda que apesar da perspectiva negativa para as vendas neste início de ano um fator positivo é o calendário, em que o feriado do Carnaval cai mais cedo do que em 2015.

— O Brasil vai começar a funcionar 20 dias antes do que no ano passado, o que é positivo.

Questionado sobre eventual impacto no setor sobre a volta da CPMF, defendida pelo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, Milan afirmou que o setor de supermercados vai "reagir até o último instante”. Segundo ele, “o governo tem é que reduzir gastos”.

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