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Corretora investiga o que pode ser o maior roubo de criptomoedas da história

Binance pode ter perdido até US$ 5 bilhões em ataque hacker nesta quinta; parte dos saques está congelada

Economia|Renato Jakitas

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Ataque hacker de criptomoedas pode ser o maior da história Reuters/Dado Ruvic

A Binance, que é a maior corretora de criptomoedas do mundo, investiga um possível ataque hacker que pode ter desviado até US$ 5 bilhões de suas carteiras digitais nesta quinta-feira (29), cerca de R$ 27 bilhões pelo câmbio do dia.

A empresa suspendeu temporariamente os saques em várias redes e, em um post no X, afirmou que até agora os recursos dos clientes estão seguros.

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O valor final do roubo virtual ainda não foi confirmado. Empresas especializadas em monitoramento de redes de criptomoedas trazem cálculos variados, que vão de US$ 1,7 bilhão, o equivalente a cerca de R$ 9,1 bilhões, até mais de US$ 5 bilhões.

Se os números se confirmarem, esse será o maior roubo da história do mercado de criptomoedas. O recorde anterior era da corretora Bybit, a segunda maior corretora do mundo, que perdeu cerca de US$ 1,5 bilhão em 2025 num ataque atribuído a hackers ligados à Coreia do Norte.

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O que se sabe

As transferências suspeitas começaram no fim da tarde, pelo horário de Brasília. Em cerca de 40 minutos, grandes quantias saíram das chamadas carteiras quentes (hot wallets) da Binance, que ficam conectadas à internet para agilizar as operações do dia a dia, e foram enviadas para endereços recém-criados.

As corretoras de criptomoedas guardam o dinheiro dos clientes em dois tipos de carteira digital. A carteira quente, ou hot wallet, fica conectada à internet o tempo todo, o que permite fazer saques e transferências na hora.

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A carteira fria, ou cold wallet, funciona desconectada da rede, muitas vezes num dispositivo físico parecido com um pen drive. Por isso, é bem mais difícil de ser invadida.

Na comparação com o dinheiro do dia a dia, a carteira quente é como o que se leva no bolso para as despesas da semana. E a fria, como o que fica guardado no cofre. Em geral, as corretoras mantêm a maior parte dos recursos nas carteiras frias. Deixa nas quentes só o necessário para as operações diárias.

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Mensagem no X

O primeiro a falar em ataque foi o fundador da Binance, Changpeng Zhao. Em publicação na rede social X, ele disse que a movimentação parecia mesmo um ataque hacker e que os fundos dos usuários estavam seguros.

Zhao, que não comanda mais a empresa, afirmou que, como acionista, espera que todas as eventuais perdas dos clientes sejam cobertas.

Em comunicado, a Binance disse estar ciente de relatos sobre um possível problema de segurança e que suas equipes investigam o caso com urgência. A empresa não confirmou oficialmente que foi invadida nem informou quanto perdeu.

Saques congelados

Uma parcela dos recursos desviados estava em criptomoedas atreladas ao dólar, chamadas de stablecoins, e pôde ser bloqueada pelas empresas que as emitem.

O presidente da Tether, Paolo Ardoino, uma das maiores stablecoins de dólar do mundo, disse ter congelado mais de 1,5 bilhão. A Circle, emissora do USDC, concorrente da Tether, informou ter bloqueado cerca de US$ 800 milhões e afirmou estar colaborando com as autoridades.

Ainda não se sabe quem está por trás do ataque nem como os criminosos conseguiram acesso às carteiras.

O que fazer se você tem conta na Binance

Por enquanto, os saques estão suspensos em parte das redes. A empresa diz que eles serão retomados quando o problema estiver resolvido. A orientação da própria Binance é desconfiar de mensagens, links e pedidos de dados de conta que não venham dos canais oficiais. Golpistas costumam se aproveitar desse tipo de situação.

Vale lembrar que dinheiro aplicado em criptomoedas não tem a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que cobre depósitos em bancos no Brasil. Em caso de perda, o ressarcimento depende da própria corretora.

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