Crédito interessa ao governo, mas não a quem está endividado, alerta economista
Levantamento mostra que 44,11% da população adulta não conseguem quitar seus compromissos financeiros
Economia|Do R7, com RECORD NEWS
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A inadimplência dos brasileiros bateu um novo recorde e atinge 73,7 milhões de pessoas, com a maior parcela sendo na faixa dos 30 e 39 anos — o que representa mais de 18 milhões de pessoas.
Os dados do Indicador de Inadimplência da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil demonstram que 44,11% da população adulta não conseguem quitar seus compromissos financeiros. Na comparação atual, o número de devedores cresceu 10% em relação a fevereiro de 2025 e 0,71% na comparação com o mês anterior.

Apesar do cenário desafiador, os consumidores podem renegociar seus débitos durante o Mutirão Nacional de Negociação de Dívidas e Orientação Financeira da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), que acontece em todo o país até o dia 31 de março.
Para o economista Miguel Daoud, além de um sistema que induz a população a contrair débitos para além de seus orçamentos, a inflação e a alta taxa básica de juros, a Selic, causam uma espécie de “corrosão” da renda dos consumidores, o que gera mais dificuldades para o equilíbrio das contas.
Daoud ainda comenta a situação de quem recorre a meios de crédito, como o cartão e o cheque especial, que ultrapassam os 15% da Selic atualmente: “Então não existe, não tem como você pagar essa conta diante da sua necessidade. E o ser humano, ele busca proteção na expectativa de ter condição de pagar [...] porque realmente é muito difícil você conviver nesse cenário”.
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Em entrevista ao Alerta Brasil desta terça-feira (17), o economista recomenda que a população tenha uma consciência dos seus custos antes de contrair novas dívidas. Já para os inadimplentes, a orientação é sentar junto com a família e analisar todos os seus débitos para organizar a melhor estratégia para quitá-los.
Outro ponto ressaltado por ele são medidas institucionais para a conscientização da população acerca das consequências do endividamento descontrolado, com atuação de psicólogos e outros profissionais, assim como é feito em campanhas contra golpes.
“Então você está sendo alvo, sendo bombardeado pela questão de crédito porque, pro governo, pro sistema, interessa o crédito pro país continuar crescendo, mas só que acaba tendo um limite, e o limite é exatamente esse. Infelizmente, ali, a gente não tem muita alternativa, a não ser que as pessoas que estejam nos ouvindo tenham consciência de que esse não é o melhor caminho; o endividamento descontrolado aqui não vai conseguir pagar”, finaliza.
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