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Crise no Oriente Médio ameaça preços de milho, soja e gasolina no mercado brasileiro

Especialistas alertam para o impacto da guerra no Irã sobre a inflação de alimentos e combustíveis no Brasil nos próximos meses

Economia|Giovana Cardoso e Luiza Marinho*, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A escalada do conflito entre EUA e Irã pode impactar a economia brasileira, especialmente os preços de alimentos e combustíveis.
  • O bloqueio do Estreito de Ormuz, que representa 20% do petróleo global, pode provocar aumento nas commodities agrícolas, como milho e soja.
  • A alta nos preços dos combustíveis encarece o frete e a logística, resultando em inflação nos preços de produtos industrializados e alimentos.
  • Conflitos geopolíticos podem levar a mudanças no mercado, afetando a demanda por exportações brasileiras e a estabilização econômica.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Conflito no Irã se intensificou nos últimos dias: EUA alegam ameaça à segurança nacional Dado Ruvic/Ilustração/Foto de Arquivo/Reuters - 22.06.2025

A escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã não deve trazer consequências militares ao Brasil. Entretanto, o risco geopolítico pode provocar efeitos indiretos na economia brasileira, afetando, sobretudo, os preços de alimentos, combustíveis e produtos industrializados.

A possível oscilação decorre, principalmente, do bloqueio no Estreito de Ormuz — rota por onde circula cerca de 20% do petróleo consumido no mundo.


Em um primeiro momento, os principais impactos devem ser sentidos no petróleo e no agronegócio, avalia o especialista em comércio exterior Jackson Campos. “Ainda que não seja possível afirmar que a pressão de preços esteja diretamente vinculada ao conflito, o encarecimento dos combustíveis passou a integrar a discussão sobre o comportamento inflacionário”, explica.

Na tarde de terça-feira (10), por exemplo, o preço do barril de Brent — referência internacional para o valor do petróleo — era de US$ 95, uma alta de 22,9% em relação aos US$ 73,19 registrados um dia antes da escalada do conflito.


Com o reajuste dos combustíveis, os custos de frete e logística nacional são consequentemente elevados. “Isso significa transporte mais caro para grãos, alimentos industrializados, insumos agrícolas e produtos manufaturados. O efeito costuma se difundir gradualmente, elevando custos de distribuição, pressionando margens empresariais e, em muitos casos, sendo repassado ao consumidor final”, detalha Campos.

Apesar de o conflito não estar relacionado diretamente com o Brasil, os impactos poderão ser percebidos em diversos setores, aponta o economista Hugo Garbe.


“Pode afetar a inflação, uma vez que encarece o custo do combustível no Brasil. Com isso, o frete fica mais caro e, o frete ficando mais caro, tudo sobe. Em tese, alimentos e produtos industrializados tendem a ser impactados”, avalia.

Efeito em cadeia

O advogado especialista em reestruturação empresarial Marcos Pelozato explica que esse movimento costuma se espalhar rapidamente para outros setores da economia.


“Quando o petróleo sobe, os primeiros impactos aparecem na gasolina, no diesel e no gás de cozinha. A partir daí, começa um efeito em cadeia. O diesel mais caro impacta diretamente o transporte rodoviário, que responde por cerca de 65% da movimentação de cargas no Brasil”, sublinha.

Pelozato destaca ainda que alimentos como o milho podem ser afetados rapidamente, sobretudo devido à dependência brasileira de insumos importados.

“Os primeiros impactos normalmente aparecem em grãos como milho e soja. Esses dois produtos são a base da ração animal, então, quando ficam mais caros, acabam pressionando o preço das carnes, principalmente frango e suínos. Também é comum observar impacto em itens derivados, como óleo de soja, massas e alimentos industrializados”, completa.

Impactos globais

Além dos riscos econômicos internos, Jackson Campos explica que conflitos geopolíticos tendem a provocar movimentos de aversão ao risco nos mercados globais. Nesse cenário, investidores migram para ativos considerados mais seguros, fortalecendo o dólar frente a moedas emergentes.

“Para o Brasil, um câmbio mais depreciado encarece importações de combustíveis, fertilizantes, equipamentos industriais e insumos produtivos. Esse movimento reforça pressões inflacionárias e pode dificultar o processo de estabilização de preços monitorado pelas autoridades monetárias”, aponta.

Com a alta prolongada do petróleo, economias relevantes podem sofrer desaceleração, destaca o especialista. A atenção se volta especialmente para a China, principal compradora de petróleo do Oriente Médio e maior parceira comercial do Brasil.

“Uma desaceleração chinesa tende a afetar a demanda por commodities como soja e minério de ferro, produtos que sustentam parcela relevante das exportações brasileiras. A redução do ritmo de compras pode enfraquecer o desempenho da balança comercial e reduzir a entrada de divisas no país. Esse tipo de choque externo produz efeitos simultâneos. De um lado, pressiona custos internos por meio da energia, do câmbio e da logística. De outro, pode reduzir a demanda internacional por produtos brasileiros”, analisa Campos.

Escalada militar

O conflito entre os EUA e o Irã ganhou novas proporções durante a guerra em Gaza, sob a acusação de que o grupo Hamas teria sido financiado por Teerã. No ano passado, Trump retomou a ofensiva contra o regime iraniano, ao mesmo tempo em que tentou abrir negociações sobre o programa nuclear do país.

A tensão aumentou ainda mais após a Agência Internacional de Energia Atômica declarar que o Irã violava obrigações de não proliferação pela primeira vez em 20 anos. Na sequência, a descoberta de um local secreto para enriquecimento de urânio elevou o alerta. No dia seguinte, Israel realizou uma operação contra instalações nucleares iranianas.

Após uma semana de ataques aéreos entre Israel e Irã, os Estados Unidos decidiram intervir e atacaram três instalações nucleares iranianas em Fordow, Isfahan e Natanz, em junho de 2025. Segundo o governo Trump, a ação prejudicou a capacidade do Irã de obter urânio enriquecido para fins militares, embora o chefe da agência nuclear da ONU tenha avaliado que o programa sofreu um atraso de apenas alguns meses.

Tentativas posteriores de negociação entre Washington e Teerã terminaram sem consenso. A falta de progresso levou os EUA a lançarem novas ofensivas contra o Irã no último fim de semana, sob a justificativa de ameaça à segurança dos norte-americanos.

De acordo com Trump, as medidas visam impedir tanto o desenvolvimento nuclear de Teerã quanto o programa de mísseis balísticos, que, segundo o republicano, estava crescendo rapidamente.

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