Custo de vida supera salário mínimo e deixa famílias sem ‘margem de manobra’
Levantamento da Serasa mostra que despesas essenciais consomem quase 60% do orçamento das famílias brasileiras
Economia|Clarissa Lemgruber, do R7, em Brasília
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Manter o padrão de vida básico no Brasil custa, em média, R$ 3.520 por mês, segundo pesquisa da Serasa. O valor é mais que o dobro do salário mínimo atual, de R$ 1.621, e ajuda a explicar por que a maioria das famílias encontra dificuldade para equilibrar o orçamento.
O estudo mostra que supermercado, moradia e contas recorrentes concentram 57% dos gastos. Nesse cenário, apenas uma parcela pequena da população afirma conseguir administrar pagamentos e despesas do dia a dia com facilidade.
Os números variam de forma significativa entre as regiões do país. Nas compras de supermercado, por exemplo, o gasto médio mensal do brasileiro é de R$ 930, mas sobe para R$ 1.110 no Sul e cai para R$ 780 no Nordeste.
As contas recorrentes, que incluem despesas como água, luz, internet e serviços de streaming, somam em média R$ 520 por mês. O valor chega a R$ 590 no Centro-Oeste e recua para R$ 420 no Nordeste.
Os gastos com moradia, como aluguel, condomínio ou financiamento, têm média nacional de R$ 1.100, atingindo R$ 1.310 no Sul e R$ 800 no Nordeste.
Raio-x das despesas
A pesquisa também mostra diferenças em outras áreas do orçamento. O brasileiro desembolsa, em média, R$ 350 mensais com transporte e mobilidade, e R$ 540 com saúde e atividade física. No lazer, a média é de R$ 340 por mês, enquanto a educação consome R$ 620.
Para Fernando Gambaro, especialista da Serasa em educação financeira, quando as despesas fixas ocupam a maior parte da renda, o orçamento fica mais vulnerável a qualquer imprevisto. Segundo ele, com menos espaço para ajustes, cresce a chance de recorrer ao crédito sem planejamento.
“A margem de manobra financeira das famílias é praticamente inexistente. Isso significa menos espaço para lidar com imprevistos, como um gasto emergencial com a saúde ou um conserto de última hora, e aumenta o risco de recorrer ao crédito de forma desorganizada. Esse cenário fragiliza a saúde financeira e pode criar um risco para o endividamento, especialmente entre quem já tem renda apertada”, afirma.
Diante desse cenário, a criação de uma reserva passa a ser fundamental. Gambaro recomenda estabelecer objetivos possíveis de cumprir ao longo do mês.
“Mesmo que sejam valores pequenos, como R$ 50 ou R$ 100, ter metas ajuda na motivação de economizar regularmente”, orienta. Na prática, a sugestão é separar o dinheiro em uma conta diferente, buscando opções que ofereçam rendimento.
Combinação de fatores
Para o especialista, a dificuldade relatada pelos brasileiros não tem uma causa única. O aumento dos preços, a renda que não acompanha esse avanço e a falta de controle detalhado das despesas atuam ao mesmo tempo.
“Os dados mostram que é uma combinação desses fatores”, afirma. Com gastos fixos elevados e pouco flexíveis, acrescenta Gambaro, organizar as finanças deixa de ser escolha e vira necessidade para evitar desequilíbrios.
Pressão que chega à inadimplência
A consequência aparece nos atrasos. Gambaro explica que há relação entre orçamento apertado e inadimplência.
“Quando o orçamento já está comprometido com despesas essenciais, qualquer variação pode levar ao atraso de contas. A inadimplência acaba sendo uma consequência dessa dificuldade de fechar as contas do mês, especialmente em um contexto em que o custo de vida médio é maior do que o salário mínimo.”
Ele lembra que fatores sociais e econômicos também influenciam o endividamento e aponta a educação financeira como um desafio ainda presente no país.
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