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CVM adia decisão sobre assembleias da Petrobras; relatora vota por condenar Petros

Economia|Do R7

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RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) adiou para 2 de dezembro o julgamento que tem como objetivo concluir se houve conflito de interesses de fundos de pensão ao votarem em assembleias para eleger conselheiros de administração e fiscais em 2011 e 2012 da Petrobras, após pedido de vistas da diretora da autarquia Luciana Dias.

O processo teve início a partir da reclamação de investidores minoritários e levou a julgamento fundos de pensão dos funcionários do Banco do Brasil (Previ), da Caixa Econômica Federal (Funcef) e da própria Petrobras (Petros), uma vez que seriam potencialmente ligados à União, controladora da petroleira.

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Antes do pedido de vistas, a relatora do processo, Ana Novaes, votou pela condenação da Petros, com multas que somaram 800 mil reais, e pela absolvição da Previ e da Funcef. 

"A Petros não passou em teste de independência em relação a Petrobras", afirmou Ana Novaes, ao ler seu voto.

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"Nao há nada nos autos que me leve a concluir que a vontade política da Funcef e da Previ estava contaminada pela Petrobras ou pela União", destacou.

Outros três indiciados do processo --Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), BNDES Participações e o diretor-financeiro da Petrobras, Almir Barbassa-- apresentaram Proposta de Termo de Compromisso.

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Segundo a CVM, a proposta encontra-se em análise e por isso não fez parte do julgamento.

Na eleição em 2011, foram eleitos para o Conselho da Petrobras o então presidente do banco Santander, Fábio Barbosa, e Jorge Gerdau Johannpeter, presidente do Conselho da Gerdau, além do conselheiro fiscal Nelson Rocha Augusto, que segundo as reclamações tinha cargo de confiança no Banco do Brasil.

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Já na assembleia de 2012, a CVM apurou a respeito da eleição, em votação em separado, para acionistas minoritários titulares de ações ordinárias, de Josué Gomes da Silva, filho do ex-vice-presidente José Alencar e presidente da Coteminas, para o Conselho de Administração, e de Augusto para o Conselho Fiscal. Entre os representantes de ações preferenciais, Gerdau e Maria Lucia de Oliveira Falcon foram eleitos.

A Associação dos Investidores do Mercado de Capitais (Amec) disse, em reclamação à CVM, que não houve indicação formal dos candidatos na eleição de 2012.

"Além das falhas formais nas indicações dos candidatos... é certo que a participação ativa e decisiva dos Fundos de Pensão Petros, Previ e Funcef, bem como do BNDES e BNDESPar, na eleição dos representantes..., constitui indiscutível desrespeito aos direitos legalmente assegurados aos acionistas não integrantes do bloco de controle", disse a Amec.

Em sua defesa, a Petros afirmou que sua influência na eleição para os membros dos Conselho da Petrobras "é irrelevante", e que, sozinha, é uma acionista que "não tem condições de determinar os rumos das votações", segundo documento enviado à CVM pelo escritório Machado Meyer Sendacz Opice Advogados.

A Previ e a Funcef, em defesas separadas, também se disseram independentes do Banco do Brasil e da CEF, respectivamente.

"Não existe nos autos qualquer prova objetiva que demonstra que o patrocinador da Previ --o Banco do Brasil--, ou mesmo sua controladora, a União, teria determinado ou de qualquer forma influenciado, no seu interesse exclusivo, a indicação do voto da Previ no candidato eleito para o Conselho de Administração da Petrobras nas assembleias gerais de 2011 e 2012", disse a defesa da Previ, assinada por advogados do escritório Bocater, Camargo, Costa e Silva.

"Não houve nenhuma influência ou pressão de qualquer natureza da União Federal em face da Funcef", afirmou a defesa da entidade, elaborada pelo Veirano Advogados.

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(Por Marta Nogueira e Juliana Schincariol)

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