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'Dados apontam para um terceiro trimestre ruim para a economia', diz economista

Especialistas avaliam se a economia vai conseguir ter uma recuperação no fim deste ano

Economia|Do R7

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Além da forte recessão observada no 2º trimestre, a economista Silvia Matos acredita que o 3º trimestre vai seguir trazendo resultados negativos para a economia brasileira. "Infelizmente, os dados apontam para um 3º trimestre ruim", afirma ela, também coordenadora do Boletim Macro do Ibre/FGV (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas).

Segundo a economista, os números do IBC-Br divulgados na quarta-feira (19) pelo Banco Central, confirmaram a expectativa do Ibre, de uma queda bem expressiva no 2º trimestre quando comparado com o trimestre anterior. "Os dados do IBC-Br indicam um recuo de 1,9%, e nós projetamos uma queda um pouco mais forte, de 2,1%", disse Silvia.

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Por enquanto, para este ano e para 2016, "estamos projetando uma recessão de 2,2% em 2015, mas devemos rever este número. Estamos revisando para uma queda um pouco acima de 2,5%, entre 2,5% e 3%. Para 2016, o carregamento estatístico fica mais negativo, e a gente também deve rever a projeção de queda de 0,1% para um resultado pior".

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Quanto à expectativa para o 3º trimestre, Silva diz que "esperava que poderia ser um pouco melhor, mas infelizmente os dados apontam para um 3º trimestre ruim".

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Isso porque, segundo ela, "o setor industrial está muito estocado e os indicadores de confiança setoriais estão ruins. Já se sabia que a indústria iria desacelerar este ano, assim como a construção. Mas a piora do mercado de trabalho também contribuiu para uma desaceleração mais forte do setor de serviços e isso tem se intensificado. A nossa dúvida é saber se a economia vai conseguir ter uma recuperação no fim deste ano ou se isso vai ocorrer no começo de 2016".

A economista acredita que "em algum momento, o País vai colher frutos desse processo de ajuste como, por exemplo, em relação ao comportamento da inflação — talvez, não todo em 2016, por causa dos choques que podem vir dos administrados e da variação cambial. Mas quando há um ajuste forte cambial, há um reflexo nas contas externas".

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Ela destaca que "uma coisa que está contribuindo para um cenário um pouquinho mais favorável não só neste ano, mas também em 2016, vem do ajuste externo. O ajuste cambial é relevante porque o déficit externo se tornou muito elevado para o nosso padrão. Mas seria importante dar um passo adiante para reduzir a avaliação de risco da economia".

Ela avalia que hoje o risco do País está muito envolvido com essa dificuldade política de não apontar as soluções de médio e longo prazo. "Estamos numa trajetória contínua de aumento de gastos acima das nossas possibilidades. O gasto deveria ser mais de acordo com o ciclo econômico. O cenário político tem tornado o ajuste um pouco mais doloroso e demorado." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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