Dia das Crianças deve movimentar R$ 9,27 bilhões no comércio, estima CNC
Alta de preços dos presentes e juros elevados devem limitar salto das vendas, que têm previsão de avanço de 1,8% em relação a 2025
Economia|Mariana Saraiva, do R7, em Brasília
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O comércio brasileiro deve movimentar R$ 9,27 bilhões com as vendas para o Dia das Crianças neste ano, segundo estimativa da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) divulgada nesta terça-feira (6). O valor representa crescimento de 1,8% em relação ao registrado em 2025, quando a data movimentou R$ 9,11 bilhões.
Apesar da previsão de alta, o desempenho do varejo deve ser limitado pelo custo do crédito e pelo elevado nível de endividamento das famílias. A taxa média de juros cobrada dos consumidores chegou a 61,7% ao ano em agosto, o maior nível para o mês desde 2016. Ao mesmo tempo, 82% das famílias brasileiras estão endividadas, segundo a CNC, enquanto 29,9% possuem contas em atraso.
A inadimplência também atingiu um patamar recorde. A taxa das operações de crédito destinadas às pessoas físicas chegou a 8,01%, maior percentual da série histórica iniciada em 2011. Para a CNC, esse cenário deve continuar restringindo o consumo de produtos que dependem de financiamento durante a segunda metade do ano.
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Maiores vendas
Os artigos de uso pessoal e doméstico, categoria que inclui os brinquedos, devem responder pela maior parcela das vendas relacionadas à data. A previsão é de faturamento de R$ 3,62 bilhões, equivalente a 39% de toda a movimentação estimada.
Na sequência aparecem os hipermercados e supermercados, com expectativa de R$ 2,63 bilhões em vendas, ou 28% do total. O segmento de vestuário e acessórios deve movimentar outros R$ 1,35 bilhão, correspondentes a 15% da receita prevista.
Historicamente, o Dia das Crianças ocupa a quarta posição entre as principais datas sazonais para o comércio brasileiro em volume de vendas.
Presentes ficam mais caros
Além do crédito mais caro, os consumidores terão de lidar com a alta dos preços. A cesta formada por 11 grupos de produtos e serviços associados ao Dia das Crianças teve aumento médio de 6,7% em relação ao mesmo período de 2025. Apesar da alta, o ritmo é menor que o observado no ano passado, quando os preços desses itens avançaram 8,9%.
Entre os produtos que mais encareceram estão os chocolates, com alta de 19,3%. Os videogames aparecem em seguida, com aumento de 11,2%, enquanto os preços dos lanches subiram 8% e os brinquedos, 7,1%.
Para quem pretende comprar roupas, o cenário é menos pressionado: os itens de vestuário devem apresentar variação de preços próxima de 4%.
Mesmo diante das dificuldades, a CNC avalia que o mercado de trabalho e a evolução da renda ajudam a sustentar o consumo.
“Este movimento aponta a manutenção de uma tendência que vemos há alguns anos no varejo: um crescimento baixo, sustentado pelo bom índice de população empregada e aumento da massa real de rendimentos e sufocado pela alta taxa de juros e o custo restritivo do crédito”, diz o economista-chefe da entidade, Fabio Bentes.
A entidade também avalia que uma eventual trajetória de redução dos juros pode melhorar as condições para o comércio nos próximos meses.
O presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, afirmou que a expectativa é de que o Dia das Crianças contribua para movimentar a economia no último trimestre do ano.
“Embora o ambiente ainda exija cautela de empresários e consumidores, a trajetória de redução da taxa de juros, mesmo que tardia, fortalece a confiança em condições mais favoráveis para o crescimento, o investimento e a geração de empregos. A expectativa é que o Dia das Crianças impulsione bons resultados para as empresas e contribua para dinamizar a economia, criando um ambiente mais propício neste último trimestre.”
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