Economia Dólar à vista tem queda de 0,03% e fecha a R$ 5,19 na venda

Dólar à vista tem queda de 0,03% e fecha a R$ 5,19 na venda

Afrouxamento da política inflacionária americana e expectativa interna sobre aprovação da PEC mantêm moeda quase estável

Reuters
O dólar fechou a quinta-feira (1º) quase em estabilidade, vendido a R$ 5,1979 à vista

O dólar fechou a quinta-feira (1º) quase em estabilidade, vendido a R$ 5,1979 à vista

Freepik/bearfotos

O dólar fechou perto da estabilidade frente ao real nesta quinta-feira (1º), com a fraqueza internacional da divisa americana, após dados terem mostrado arrefecimento da inflação nos Estados Unidos, dividindo atenções com receio interno no Brasil devido à expectativa de aprovação da PEC (proposta de emenda à Constituição) da Transição.

Na venda à vista, a moeda dos EUA teve variação negativa de 0,03%, cotada a R$ 5,1979, renovando seu patamar de encerramento mais baixo desde o último dia 9, quando ficou em R$ 5,1845, depois que havia despencado quase 4% no acumulado dos três pregões anteriores.

Na B3, o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento subia 0,28%, a R$ 5,2280.

Dados da inflação americanos divulgados nesta manhã reforçaram a perspectiva de uma decisão mais branda do Federal Reserve (Fed) na conduta da política monetária. O índice de preços de despesas de consumo pessoal (PCE, na sigla em inglês) subiu 0,3% em outubro, após avançar na mesma margem em setembro.

No período de 12 meses concluído até outubro, o PCE subiu 6,0%, após avanço de 6,3% em setembro, uma desaceleração que pode justificar aumentos menores dos juros pelo Fed a partir da reunião de dezembro.

Jerome Powell, chair do Fed, havia sinalizado na véspera que o banco central americano poderia reduzir o tamanho dos ajustes nos juros já neste mês. O dólar se enfraqueceu globalmente na esteira dessa indicação, com seu índice, frente a uma cesta de moedas fortes, caindo 0,8% nesta quinta.

"Quando ele [Powell] expressou que o ritmo dos aumentos na taxa de juros em dezembro já será reduzido, essa fala levou o mundo inteiro a um apetite por risco", disse Evandro Caciano dos Santos, chefe de câmbio da Trace Finance.

No entanto, "mesmo a gente tendo esse movimento externo, a gente tem também o cenário político, que tem sido mandatário na nossa relação com o dinheiro", ponderou o especialista.

Na cena doméstica, um dos principais motivos de angústia tem sido a PEC da Transição, já que, da forma que foi protocolada no Senado no início desta semana, abre uma exceção à regra do teto de gastos de quase R$ 200 bilhões por quatro anos, em grande parte para custear o Bolsa Família.

"O tanto que ela nos traz insegurança fiscal, com certeza, faz com que a gente tenha um movimento muitas vezes inverso ao do mundo", avalia Santos. Em novembro, a moeda norte-americana ganhou 0,67% frente ao real, na contramão das perdas de mais de 5% do índice do dólar contra a cesta de pares fortes no mesmo período.

Ainda assim, alguns investidores têm se agarrado a esperanças de que os quase R$ 200 bilhões em gastos extrateto previstos na PEC sejam moderados, e seu período de duração, reduzido.

Bruno Di Giacomo, diretor de investimentos da Nero Capital, vê uma tendência de longo prazo de baixa do dólar, em meio à possibilidade de que a taxa Selic volte a subir, o que elevaria o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos, e tornaria a moeda brasileira mais atraente para investidores estrangeiros.

Os juros futuros dispararam em novembro em meio à percepção de risco fiscal elevado, com a curva de DIs chegando a precificar novos aumentos em 2023 da Selic, que atualmente está em 13,75%.

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