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Dólar atinge R$ 5,50 com emprego forte nos EUA e cautela fiscal

Dólar encerra sessão no maior patamar de 2026, impulsionado por expectativa de juros mais altos nos EUA

Economia|Do Estadão Conteúdo

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Uma ilustração fotográfica mostra notas de 100 dólares americanos retratadas em Tóquio em 2 de agosto de 2011
Com pressão externa e cautela sobre o ajuste fiscal, dólar fecha acima de R$ 5,50 Yuriko Nakao/Reuters - 02.08.2011

Após trocas de sinal no início da tarde, o dólar à vista se firmou em terreno positivo nas últimas horas do pregão e encerrou esta sexta-feira (6) em alta de 0,37%, a R$ 5,5087 — pela primeira vez na casa de R$ 5,50 no ano e no maior valor de fechamento desde 29 de dezembro de 2025. Com avanço de 1,18% na semana, a divisa passou a acumular leve valorização em 2026 (0,36%).

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Dados acima do esperado para a geração de empregos nos EUA em outubro reforçaram as apostas em alta dos juros pelo Federal Reserve em dezembro, o que levou a um fortalecimento global da moeda americana. Pela manhã, na esteira da divulgação do relatório de emprego (payroll), o dólar à vista alcançou o nível de R$ 5,53, com máxima de R$ 5,5316.

A moeda perdeu fôlego em seguida, com movimentos de realização de lucros intradia e relatos de fluxo de estrangeiros pela bolsa em meio a sinais, ainda que incipientes, de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve, ao menos, apertar os parâmetros do arcabouço fiscal.

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Para o analista de câmbio da Manchester Investimentos, Nicolas Gomes, a taxa de câmbio já reflete as dúvidas em torno da condução da política econômica no Lula 4 e pode recuar se o presidente tomar medidas fiscais críveis e nomear um ministro da Fazenda comprometido com o controle de gastos.

“Um dólar entre R$ 5,40 e R$ 5,50 mostra que o mercado ainda dá o benefício da dúvida ao governo. Qualquer sinalização negativa pode jogar o dólar para cima de R$ 6,00, como já vimos no mandato atual”, afirma Gomes.

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Do último pregão antes do segundo turno (23 de outubro) para cá, o dólar acumulou valorização de 10,33% frente ao real. Na semana passada, a divisa subiu mais de 9%, registrando a maior valorização semanal desde fins de outubro de 2008, no auge da crise financeira global desencadeada pela derrocada no setor imobiliário americano.

Depois de se reunir na quinta com a equipe econômica e economistas próximos ao PT, Lula rebateu críticas à política fiscal do governo e minimizou o tamanho da dívida pública brasileira. O presidente voltou a dizer que vai entregar um superávit primário em 2027, mas que eventuais ajustes não vão recair sobre os mais pobres.

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“Lula tenta manter um equilíbrio entre ajuste fiscal, com alguma sinalização pró-mercado, e o cumprimento das promessas de campanha”, afirma Gomes, da Manchester.

No domingo à noite, 8, Lula faz pronunciamento à nação. A perspectiva é que adote tom semelhante, aliando o compromisso com as metas fiscais às ações prometidas durante o processo eleitoral. O anúncio de medidas concretas deve ser feito apenas a partir de 16 de novembro, quando Lula retornar ao Brasil após participar da COP31, na Turquia.

Lá fora, o índice DXY — que mede o comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes — voltou a superar a marca dos 102,000 pontos. O índice subia 0,75% por volta das 17h aos 102,304 pontos, após máxima de 102,358 pontos. Depois da divulgação do payroll, a ferramenta do CME Group mostrou avanço das expectativas de alta de juros em dezembro, que já estavam acima de 70%.

“O Fed está focando mais na inflação, mas números fortes de emprego continuam sendo importantes para a narrativa de aumento de juros”, afirma o economista-chefe internacional do banco ING, James Knightley. “Esperamos uma alta em dezembro, mas continuamos a duvidar da necessidade de aumentos adicionais no ano que vem.”

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