Economia Dólar cai após Câmara aprovar texto-base do novo arcabouço fiscal

Dólar cai após Câmara aprovar texto-base do novo arcabouço fiscal

Moeda dos EUA recuou 0,38% no Brasil e ficou na contramão do exterior, onde registrou alta na comparação com outros países

Reuters
O dólar fechou o dia cotado a R$ 4,95 no Brasil

O dólar fechou o dia cotado a R$ 4,95 no Brasil

Marcos Brindicci / Reuters

O dólar à vista fechou em queda ante o real nesta quarta-feira (24), após a Câmara dos Deputados aprovar o texto-base do novo arcabouço fiscal, com maioria de votos para a proposta do governo. A moeda dos Estados Unidos encerrou o dia em R$ 4,9534 na venda, com baixa de 0,38%. O Ibovespa também teve queda, contaminado por Wall Street.

Na noite de terça-feira (23), a Câmara aprovou o texto do arcabouço, com 372 votos favoráveis e 108 contrários, após ajustes de última hora feitos pelo relator, o deputado Cláudio Cajado (PP-BA), que deixaram a regra de gastos 'menos generosa' em 2024. 

A proposta, criada para substituir o teto de gastos, estabelece que as despesas federais não poderão crescer mais do que 70% da alta das receitas. Também define que os gastos crescerão anualmente entre 0,6% e 2,5% acima da inflação.

Veja também: Comissão aprova MP de reestruturação dos ministérios, mas esvazia Meio Ambiente

“Claro que não é o arcabouço ideal, porque depende muito de receita, mas a perspectiva é animadora. Por isso o mercado reagiu positivamente”, analisou Cleber Alessie Machado, gerente da mesa de derivativos financeiros da Commcor DTVM. “Com o arcabouço, eliminamos o descontrole, o que é muito positivo em relação ao que o mercado esperava desta gestão.”

A nova regra fiscal, bem recebida nos mercados de câmbio e juros futuros, acabou exercendo mais influência nas cotações que o exterior, onde o dólar sustentava ganhos ante boa parte das moedas de países emergentes ou exportadores de commodities, na esteira do impasse sobre o teto da dívida do governo americano.

Ironicamente, os EUA enfrentam discussões parecidas com as do Brasil, com o objetivo de ampliar o teto da dívida do governo e, assim, evitar um default (calote ou moratória) no próximo mês.

Como o impasse entre a Casa Branca e os republicanos não chegou a um acordo, o viés para o dólar foi de alta ante outras divisas.

Às 17h19 (de Brasília), o índice do dólar, que mede o desempenho da moeda americana diante de uma cesta de seis divisas, subia 0,32%, a 103.870 pontos.

No Brasil, pela manhã, o Banco Central vendeu todos os 16 mil contratos de swap cambial tradicional ofertados na rolagem dos vencimentos de julho.

O índice da bolsa de valores

Também em queda nesta quarta-feira, o Ibovespa foi contaminado pelas preocupações com a inércia das negociações sobre o teto da dívida americana, que já afeta Wall Street. O S&P 500, uma das referências do mercado acionário americano, fechou em baixa de 0,73%.

Nos Estados Unidos, os negociadores do presidente democrata Joe Biden e do principal republicano do Congresso, Kevin McCarthy, reuniram-se na Casa Branca para tentar fechar um acordo para aumentar o teto da dívida de 31,4 trilhões de dólares e evitar um calote catastrófico.

Biden e McCarthy, o presidente da Câmara dos Deputados, porém, permanecem bastante divididos sobre como seguir adiante.

O índice de referência do mercado acionário brasileiro caiu 1,03%, a 108.799,54 pontos, com as ações da Vale entre as maiores pressões negativas, enquanto Petrobras subiu e evitou uma perda maior do índice. O volume financeiro somava R$ 23,1 bilhões. No mês, o Ibovespa ainda acumula alta acima de 4%.

Além das decisões dos deputados sobre o arcabouço fiscal, investidores estão atentos também às movimentações relacionadas à reforma tributária. O relator do texto afirmou que pretende apresentar, no dia 6 de junho, um relatório com as conclusões do grupo de trabalho, para, a partir daí, marcar a data para a votação do seu parecer diretamente no plenário da Câmara.

Últimas