Dólar cai pela sexta vez seguida e vai abaixo de R$ 3,10
Baixa de 0,34% da moeda foi guiada pela volta do BC ao mercado e ambiente externo
Economia|Do R7

O dólar fechou esta terça-feira (16) em queda, pelo sexto pregão seguido e foi abaixo de R$ 3,10 pela primeira vez em mais de um mês, após o BC (Banco Central) voltar a atuar no mercado de câmbio e com o cenário externo mais benigno.
Na sessão, o dólar recuou 0,34%, a R$ 3,0955 na venda, menor patamar de fechamento desde 21 de março (R$ 3,0900) e pela primeira vez abaixo de R$ 3,10 desde o início de abril. Em seis sessões de queda, a moeda norte-americana acumulou perdas de 3,14% ante o real. Na mínima do dia, foi a R$ 3,0866. O dólar futuro tinha baixa de cerca de 0,55% no final da tarde.
"O BC abre espaço para o dólar cair mais e, com isso, também para cortar mais os juros. O [investidor] estrangeiro se anima e traz dinheiro para o País", afirmou o operador da corretora Mirae Olavo Souza.
O BC voltou a atuar no mercado nesta sessão, ao anunciar novo leilão de swaps cambiais tradicionais, equivalentes à venda futura de dólares, para rolar os contratos que vencem em junho. A autoridade monetária também sinalizou que pretende rolar integralmente os swaps do mês que vem, de US$ 4,435 bilhões. No leilão desta manhã, o BC vendeu integralmente a oferta de até 8.000 swaps, ou US$ 400 milhões.
"Apesar de a atuação do BC contribuir com a trajetória [de baixa] dos juros, acho que essa não foi a intenção dele [ao anunciar o leilão]. Vejo como uma atuação natural, dentro de seu contexto", comentou o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik.
No mês anterior, o BC também havia rolado integralmente os swaps que venceram em maio, quando o dólar foi negociado na casa de R$ 3,15. O estoque total de swaps hoje está em torno de US$ 18 bilhões.
O dólar mais barato reduz a pressão sobre a inflação e favorece o trabalho de política monetária do BC, com reduções da Selic. Com a percepção de juros menores no futuro, os investidores se antecipam e trazem recursos para aproveitar a taxa mais elevada agora. A Selic está em 11,25% ao ano.
O recuo da moeda norte-americana, no entanto, foi contido pela atração de compradores ao patamar de R$ 3,09. "Uma justificativa para o dólar cair abaixo desse nível seria o governo aprovar a [reforma da] Previdência ainda este mês, e parece que ele está trabalhando bem e pode conseguir fazer isso", acrescentou Rugik.
A reforma da Previdência é considerada essencial para colocar as contas públicas em ordem.
O recuo do dólar ante o real também foi influenciado pelo desempenho da moeda norte-americana no exterior, onde cedeu ante uma cesta de moedas e também divisas de países emergentes, como o rand sul-africano, pesos chileno e mexicano.















