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Economia Sem Paletó #9: a forma como o Brasil controla a inflação faz bem para a economia?

Live mostra que problema do consumo não foi resolvido e que BC abusa de juros altos

Economia|Do R7

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O economista Richard Rytenband comparou a atuação do Banco Central em 2002 e na crise atual
O economista Richard Rytenband comparou a atuação do Banco Central em 2002 e na crise atual

Da hiperinflação (dos anos 1980) à deflação de 0,23% registrada em junho, o governo brasileiro vem batalhando há décadas para controlar os preços e colocar a economia nos eixos. Mas a forma como os governos e o Banco Central agem para combater a inflação ajuda a economia brasileira a andar para frente?

No programa número 9 de Economia Sem Paletó, o economista Richard Rytenband mostra as diferentes estratégias adotadas ao longo do tempo e explica por que a deflação registrada em junho não é só uma notícia boa.


— Há várias formas de se combater a inflação. Se for usada a estratégia correta, a taxa de sacrifício, ou seja, os efeitos no emprego e renda, será menor. Mas se demora para combater ou se combate da forma equivocada, o custo social para se trazer a inflação para baixo é brutal. Essa deflação de agora simboliza isso.

Assista ao programa completo:


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Crise de 2002 X Crise atual


Desde a estabilização proporcionada pelo Plano Real, em 1994, o Brasil viveu três momentos de descontrole inflacionário: em 1999 e nos períodos 2002-2003 e 2014-2016.

O primeiro momento é explicado por uma subida acelerada da taxa de câmbio, que acabou elevando os preços internamente. Nos dois momentos seguintes, o controle foi realizado pelo Banco Central sobretudo pelo controle da taxa básica de juros (a Selic).


— Como se combate a inflação? Taxa de juros. Se aumentar rapidamente a taxa de juros, dar uma pancada nela, você consegue combater a inflação mais rápido. (...) A taxa de juros muito alta é como se fosse um veneno, então tem que saber usar a dose para não matar. O juros altos é um veneno porque vai encarecer o crédito, vai reduzir o consumo e os investimentos, então vai derrubar a atividade econômica.

Na avaliação de Rytenband, a atuação do BC em 2002 e 2003 foi mais acertada, já que os juros subiram numa pancada só: foram 8,5 pontos em 247 dias. O que não aconteceu na atual crise.

— Foi um ciclo rapidíssimo [de alta dos juros], de menos de um ano. O desemprego já estava em um patamar alto, já havia muitos desempregados, então flutuou pouco, de 12% a 12,3%. (...) O custo social foi baixo, porque o desemprego já era alto. Mas depois quando começaram a derrubar a taxa de juros e a China começou a comprar nossas commodities, a economia começa a entrar numa taxa de recuperação e a taxa de desemprego foi caindo.

economia sem paletó, inflação, crise 2002
economia sem paletó, inflação, crise 2002 Arte/R7

Na crise atual, a taxa Selic aumentou menos, 7 pontos, mas em mais tempo, 1.281 dias, cerca de 42 meses. Na avaliação de Richard, a chamada “taxa de sacrifício” agora foi muito maior.

— O desemprego, que estava 5,8 no começo, explodiu para mais de 13%, e por isso temos mais de 14 milhões de desempregados. (...) O Banco Central precisa de muita credibilidade, todo mundo precisa confiar nele. Quando ele demora para combater a inflação, e vocêainda tem nesse período o governo segurando preços, por exemplo, da gasolina e energia, a taxa de câmbio fora do lugar, de repente tudo isso explode e o Banco central vai gradualmente ainda [aumentar a taxa de juros]. Ele tornou o processo muito longo e muito custoso, então a gente ficou com a economia patinando por muito tempo, decisões de investimento sendo postergadas, as pessoas consumindo cada vez menos, perdendo o emprego.

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