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Efeitos da Operação Carne Fraca preocupa cidade paranaense

Lapa é um dos municípios que sedia empresa investigada na ação da Polícia Federal

Economia|Do R7

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Um dia antes da deflagração da operação, empresa informou que investiria R$ 20 milhões na produção de frangos, o que geraria empregos
Um dia antes da deflagração da operação, empresa informou que investiria R$ 20 milhões na produção de frangos, o que geraria empregos

Desde a deflagração da Operação Carne Fraca, há cerca de dez dias, cidades da região metropolitana de Curitiba estão em alerta. O foco não está em novas denúncias de corrupção, mas no que pode ocorrer com a economia de cada uma caso as empresas citadas na investigação entrem em crise ou até mesmo fechem as portas. É o caso de Lapa, que fica a 50 quilômetros de Curitiba, no Paraná.

O município abriga uma das sedes da Seara, que concentra a produção em frangos e derivados. Na última segunda-feira, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, esteve na empresa para tentar estancar a sangria causada pela divulgação das investigações da Carne Fraca.


Na mesma semana, a JBS — dona da Seara — anunciou a suspensão da produção por três dias. A medida não atinge a produção de frango, mas o município está apreensivo

O prefeito Paulo César Furiati (PMDB) diz que companhia é essencial para cidade. 


— Prefiro nem imaginar a cidade ficar sem a empresa.

Segundo ele, um dia antes da deflagração da Operação Carne Fraca, a Seara comunicou a prefeitura que iria investir R$ 20 milhões para aumentar a produção de frangos na empresa.


— Por dia, 190 mil frangos são abatidos. Com o investimento — que seria a compra de uma nova caldeira — o número aumentaria para 250 mil. A consequência disso seria o aumento de empregos e de receita para a cidade. Dormimos com um sonho e acordamos em um funeral.

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A cidade tem 45 mil habitantes e cerca de 40% vive no meio rural. A Seara emprega 1,8 mil pessoas e compra frango diretamente de 800 produtores, chamados de integrados. Eles recebem toda estrutura da Seara para criar frangos para abate, como ração e medicamentos. Segundo a prefeitura, cerca de 350 produtores integrados trabalham apenas para a Seara. No ano passado, 1,8 milhão de frangos foram abatidos.

O Estado esteve na cidade e conversou com alguns produtores integrados. Um deles, que prefere não ser identificado, afirma que está com 15 mil frangos que serão abatidos nos próximos dias.

— A empresa traz o pintinho e nós cuidamos por 40 dias até o abate. Eu investi cerca de R$ 300 mil para atender às exigências de qualidade da empresa, mas o lucro é muito baixo. Minha sorte é que não dependo só disso. Mas conheço muitos que vivem só da produção de frango.

— Recebemos críticas por depender tanto economicamente de uma empresa. Mas o fato é que trouxe benefícios à receita da cidade e melhorias em outros setores, como transporte e construção de ruas para acesso aos produtores.

Ano passado, o município arrecadou R$ 32 milhões de ICMS, dos quais 24,5% são referentes a comercialização de produtos produzidos pela Seara. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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