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Empresas do setor automotivo ainda brilham, mas economia preocupa

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Com a alta dos licenciamentos, aumentam os congestionamentos
Com a alta dos licenciamentos, aumentam os congestionamentos

Empresas ligadas ao setor automotivo brasileiro, incluindo concessionárias de rodovias e seguradoras, passaram quase ilesas pela fraca atividade econômica do país na primeira metade de 2013, mas a proximidade do fim dos incentivos estatais que acompanham o setor desde 2009 traz interrogações sobre a manutenção do vigor do segmento.

De carona no aumento de 4,8% nos licenciamentos de veículos leves e de 5,1% nas vendas de caminhões no semestre, as concessionárias de rodovias CCR e Ecorodovias tiveram um aumento de quase 10% da receita bruta com pedágio no primeiro semestre.

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A fabricante de implementos rodoviários e autopeças Randon também foi beneficiada pelo aumento da frota de caminhões, registrando lucro líquido de R$ 108,6 milhões no período, quase oito vezes acima do ganho obtido um ano antes.

"Existe uma correlação que é alta entre licenciamentos de veículos e tráfego nas rodovias", afirmou Cláudia Oshiro, analista de logística na Tendências Consultoria.

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Enquanto isso, de olho no crescimento de 26% na frota do país entre 2009 e 2012, para 37,3 milhões de veículos, companhias ligadas ao setor — como as locadoras Unidas e Ouro Verde e a empresa de rastreamento Sascar — mantêm de pé seus pedidos para listarem ações na Bovespa.

O movimento vai na direção oposta à adotada por empresas de outros setores, como a Votorantim Cimentos e a empresa aérea Azul, que suspenderam recentemente suas ofertas iniciais de ações (IPO, na sigla em inglês), por conta da situação adversa dos mercados.

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As seguradoras também se beneficiaram da expansão da frota de veículos. A Porto Seguro teve crescimento de 21,3% nos prêmios auferidos em seguros de automóveis no primeiro semestre, na comparação anual, para R$ 3,55 bilhões.

Tráfego mais lento

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Contudo, analistas avaliam que esses desempenhos podem não se sustentar nos próximos trimestres, com a saída de cena em dezembro dos incentivos fiscais para o setor e se persistir a queda na renda das famílias.

Em dezembro termina a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), concedida pelo governo em maio de 2012. Já o PSI (Programa de Sustentação do Investimento) pode ser renovado, mas com menos incentivos. O programa tocado pelo BNDES tem como foco financiamento para compra de bens de capital novos, incluindo caminhões, e também tem fim previsto para dezembro.

"Ainda espera-se que o fluxo de pedágio aumente no ano que vem, mas houve piora nas expectativas", disse a analista da Tendências.

Em julho, o rendimento real da população recuou pela quinta vez seguida, embora a taxa de desemprego no país tenha caído pela primeira vez no ano, para 5,6%.

"(Com isso), a trajetória deve ser de crescimento mais lento (no tráfego de rodovias)", disse o economista Juan Jensen também da Tendências, e que atua na elaboração do Índice ABCR de Atividade, da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias. Segundo ele, o tráfego de veículos leves deve sofrer o impacto da desaceleração na renda e no emprego.

O analista Renato Hallgren, do BB Investimentos, também vê um cenário mais difícil para a expansão do tráfego de veículos leves pelas estradas do país. "Com a saturação do emprego, a gente começa a ver estagnação", disse.

Seguradoras

Já as empresas de seguro de veículos não devem sentir redução no volume de seguros mesmo com o fim dos benefícios para venda de automóveis novos, mas os gastos com ressarcimentos podem aumentar.

"O efeito sobre a seguradora é mais sobre o preço. Se a pessoa comprou o carro a um preço, e comprou o seguro, e depois de seis meses tem uma perda total, se o preço subiu por imposto, automaticamente a seguradora tem que pagar um carro que está com um preço maior", disse o diretor da consultoria AT Kearney, David Wong.

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