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Entenda por que a prévia da inflação não deve pesar na decisão do Copom sobre os juros

Economistas ouvidos pelo R7 apontam que atenção do BC está concentrada na inflação de serviços e nas expectativas para 2025

Economia|Clarissa Lemgruber, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A prévia da inflação, IPCA-15, não deverá influenciar a decisão do Copom sobre a taxa Selic.
  • Economistas afirmam que o BC considera tendências de médio prazo e não dados pontuais.
  • O foco do Banco Central está na inflação de serviços e na dinâmica do mercado de trabalho.
  • Esperam-se cortes na taxa Selic a partir de março, com atenção ao comunicado do Copom sobre o futuro.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Conforme divulgação do IBGE, prévia da inflação desacelerou em janeiro e ficou em 0,20% Joédson Alves/Agência Brasil - Arquivo

A divulgação da prévia da inflação oficial, o IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), não deve alterar a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) sobre a taxa Selic, que será anunciada nesta quarta-feira (28).

Economistas ouvidos pelo R7 avaliam que o Banco Central define os juros a partir de uma leitura mais abrangente da economia, considerando principalmente a trajetória da inflação no médio prazo, e não movimentos pontuais dos preços.


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Segundo o economista Hugo Garbe, doutor em economia e professor da Universidade Mackenzie, a prévia da inflação entra apenas como um elemento complementar na avaliação do comitê.

“O IPCA-15 de janeiro veio ligeiramente abaixo das expectativas e mostra uma inflação mensal comportada, mas a decisão do Copom não é feita com base em um único dado, muito menos em uma prévia”, afirma.


Segundo Garbe, o BC trabalha com uma avaliação prospectiva, considerando o horizonte relevante da política monetária, atualmente centrado em 2025. “O dado ajuda a reduzir o risco de surpresa negativa no curto prazo, mas dificilmente altera uma decisão já bastante amadurecida. O Copom tende a reagir a tendências persistentes, não a movimentos pontuais”, esclarece.

Na análise dos especialistas, o foco do BC segue concentrado nos componentes mais estruturais da inflação. “Serviços e núcleos de inflação continuam sendo os principais pontos de atenção”, explica Garbe.


Segundo ele, a inflação de serviços é especialmente relevante por refletir a dinâmica do mercado de trabalho, da renda e da demanda interna. Já os núcleos ajudam a filtrar choques temporários, como alimentos e energia, enquanto o índice de difusão é observado como termômetro do espalhamento inflacionário.

O economista César Bergo, professor da UnB (Universidade de Brasília), também avalia que o IPCA-15 não muda a postura do Banco Central nesta reunião. “O IPCA-15 não vai alterar a posição do Banco Central com relação à Selic. A expectativa é de manutenção da taxa em 15%. O corte — de até 0,5 ponto percentual — fica para março”, prevê.


Bergo destaca que, além da inflação de serviços, a resiliência da atividade econômica e o mercado de trabalho seguem pesando na decisão. “Ainda há uma certa resistência da atividade econômica, e o cenário internacional também influencia, sobretudo a política de juros dos Estados Unidos. É uma atuação mais defensiva do Banco Central”, diz.

Rigor do BC

Para o economista, parte do mercado já considera que o BC tem mantido os juros elevados por mais tempo do que o necessário. “Existe uma parcela relevante dos analistas que avalia que o Banco Central está sendo mais rigoroso do que deveria na manutenção da Selic em 15%”, afirma.

Mais do que o resultado da reunião desta quarta-feira, os especialistas ressaltam que o mercado estará atento ao comunicado do Copom. Segundo Garbe, o ponto central será o balanço de riscos e a sinalização sobre os próximos passos. “Não é apenas se o Copom corta ou mantém a Selic, mas como ele enxerga o caminho adiante. Em momentos como este, o comunicado vale mais do que a decisão em si”, pontua.

Bergo também destaca a importância da sinalização futura. “O Banco Central olha cerca de 18 meses à frente para a inflação. A expectativa é de que o cenário permita o início de um ciclo de cortes da taxa Selic a partir de março”, ressalta.

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