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ENTREVISTA-BRF mira novas unidades e parcerias para ganhar consumidores na Ásia

Economia|Do R7

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Por Gustavo Bonato

SÃO PAULO (Reuters) - A BRF, maior exportadora global de carne de frango, planeja forte expansão no mercado asiático nos próximos anos e mira diversos modelos de negócios, que incluem joint ventures com empresas locais, aquisições e até a construção de unidades, disse à Reuters um executivo da empresa.

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“A gente tem o desafio de fazer com a Ásia o que fizemos com o Oriente Médio”, onde a empresa chegou há 30 anos e onde os produtos da marca Sadia são amplamente conhecidos, disse Marcos Jank, que em março deixa São Paulo para comandar a expansão na Ásia a partir de escritório em Cingapura.

Recentemente a BRF fechou a criação de uma joint venture com a Indofood, na Indonésia, em um projeto de 200 milhões de dólares de investimento conjunto, com o objetivo de estrear naquele mercado.

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Em novembro, a empresa inaugurou sua primeira unidade industrial fora do Brasil, uma planta de alimentos congelados em Abu Dhabi que produz itens como empanados, hambúrgueres e pizzas com carne de frango brasileira.

Modelos como esses estão entre as opções que Jank pretende explorar na expansão da BRF na Ásia.

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“Nós já começamos isso com essa joint venture com a Indofood, na Indonésia. Vamos olhar várias outras oportunidades...São operações de expansão no sentido de acordos comerciais ou mesmo plantas, que a gente possa estar fazendo nesta região”, disse. Ele não quis dar detalhes de negociações em andamento.

A ideia é replicar na Ásia o modelo que abastece o mercado brasileiro, onde a BRF controla desde a genética das matrizes de frangos e suínos até a distribuição para 160 mil pontos de venda espalhados pelo país.

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“Quando a gente vê a exportação tradicional que a gente tinha enquanto Sadia e Perdigão, estávamos basicamente vendendo commodities. O que queremos fazer agora é estender a cadeia integrada em outros países. Isso pode ser feito com matéria-prima brasileira ou com matéria-prima local”, afirmou.

O que está em jogo é um mercado bastante promissor, em uma região que abriga cerca de metade de população mundial.

Enquanto a média de consumo de frango no mundo é de 12 quilos por pessoa por ano, e no Brasil é de 44 quilos, na Ásia cada habitante consome em média apenas 6,5 quilos de carne de frango a cada ano, segundo a BRF.

Para Jank, dos 12 países mais populosos da Ásia, seis estão fechados às carnes suína e de frango do Brasil, seja por barreiras tarifárias ou sanitárias.

O executivo, que deixará de ser diretor-executivo de assuntos corporativos no Brasil para assumir a vice-presidência de Desenvolvimento de Negócios e Assuntos Corporativos para a região asiática, terá como missão também negociar com governos e entidades para abrir mercado aos produtos brasileiros.

“A China é um país que em princípio está aberto, mas o processo de habilitação de plantas é muito moroso, muito complicado”, exemplificou.

Países como China, Indonésia, Índia, Malásia e Tailândia são citados pelo executivo como potenciais mercados para expansão na Ásia.

“O potencial está principalmente nos mercados mais pobres, onde a classe média está crescendo”, afirmou.

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