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ENTREVISTA-Hidrovias do Brasil prevê exportação de grãos pelo Norte a partir de julho

Economia|Do R7

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Por Gustavo Bonato

SÃO PAULO (Reuters) - As multinacionais Noble Agri, Nidera e Multigrain vão se estabelecer definitivamente nas rotas de escoamento de grãos pela bacia amazônica a partir de julho, com a entrada em operação de novos terminais construídos pela empresa de logística Hidrovias do Brasil, os maiores na região até o momento.

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"Vamos começar a receber (grãos) entre fevereiro e março... A gente tem intenção de iniciar operação cheia a partir de julho", disse à Reuters o presidente-executivo da Hidrovias do Brasil, Bruno Serapião.

A Hidrovias, que tem contratos com Noble Agri, Nidera e Multigrain, tradings controladas por asiáticos, define-se como "operador logístico de bandeira branca" e está finalizando a construção de um terminal fluvial no distrito de Miritituba, no Pará, no encontro da BR-163 com o rio Tapajós, onde soja e milho levados de caminhão serão colocados em barcaças.

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De lá, os comboios seguem pelos rios amazônicos até Vila do Conde, no município de Barcarena, na região metropolitana de Belém (PA), onde haverá o embarque dos produtos em navios graneleiros, rumo ao mercado internacional.

Serapião evitou comentar sobre o volume que será embarcado pelos terminais em 2016, mas a expectativa é de atingir uma capacidade de 6,5 milhões de toneladas ao ano, em até cinco anos, com investimentos totais de 1,5 bilhão de reais, incluindo obras em terra e a aquisição de barcaças e empurradores.

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A Noble Agri, controlada pela chinesa Cofco, a holandesa Nidera, também controlada pela Cofco, e a Multigrain, subsidiária no Brasil da japonesa Mitsui, assinaram contratos de longo prazo para utilizar a estrutura de escoamento, dando lastro para os investimentos da Hidrovias do Brasil.

Segundo o executivo, haverá respeito aos contratos já firmados, mas nada impede a Hidrovias de atender outros clientes.

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A empresa é a terceira a operar efetivamente na região de Miritituba, considerada um dos novos polos de logística do agronegócio brasileiro, onde diversas empresas já compraram terrenos e caminham para implementar projetos.

A ideia de todos os investidores é cortar custos de transporte ao evitar um trajeto de mais de 2 mil quilômetros de caminhão entre a principal região produtora de grãos do Brasil, no norte de Mato Grosso, e os portos do Sul e Sudeste.

"O transporte hidroviário é mais competitivo", resumiu Serapião.

Em 2014, a norte-americana Bunge foi a primeira a inaugurar o binário logístico Miritituba/Barcarena, que usa a BR-163 e os rios da Amazônia, com um projeto com capacidade final projetada de 4 milhões de toneladas por ano.

Atualmente, a empresa de transportes Bertolini também opera um equipamento flutuante, capaz de transferir grãos de caminhões para barcaças.

A concorrência, inclusive de projetos que deverão ser implementados no futuro, não é sinal de problema para a Hidrovias do Brasil.

"A competição, dada nos mesmos padrões para todo mundo, com exigências iguais para todos, é muito bem-vinda. Garante que Vila do Conde seja um porto relevante dentro do Brasil", disse Serapião. "Nossa visão é sermos o melhor provedor de logística para nossos clientes."

Após receber os primeiros caminhões em Miritituba entre fevereiro e março, o executivo projeta que as primeiras barcaças chegarão ao terminal de Vila do Conde entre abril e maio, com início das operações comerciais a partir de julho.

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RODOVIA

As rotas de escoamento pelos rios Tapajós e Amazonas tornaram-se viáveis apenas nos últimos anos devido à retomada do asfaltamento do trecho paraense da BR-163, uma rodovia aberta no meio da selva na década de 1970.

A obras começaram em 2009 e, com incontáveis adiamentos, os trabalhos ainda não estão concluídos.

Levantamento feito em janeiro pelo Movimento Pró-Logística, ligado a entidades de produtores rurais de Mato Grosso, mostrou que entre Sinop (MT) e Miritituba, em um trajeto total de 990 km, há 104 km ainda sem pavimento. Além disso, trechos de asfalto mais antigo estão esburacados.

"A estrada obviamente é um fator importante no nosso sistema. Tem um trecho pequeno não asfaltado. A gente acredita que até o final deste ano isso esteja resolvido (com obras finalizadas)", projetou o presidente da Hidrovias do Brasil.

A companhia tem como controlador o Fundo P2 Brasil, do Pátria Investimentos, além de participação dos fundos canadense AIMCO, do Temasek, de Cingapura, e do BNDESPar, entre outros sócios minoritários.

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