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ENTREVISTA-Líbia enfrentará "catástrofe" se bloqueio a petróleo continuar, diz premiê

Economia|Do R7

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Por Ulf Laessing e Nadeen Ebrahim

BERLIM (Reuters) - A Líbia enfrentará uma "situação catastrófica" a não ser que forças estrangeiras pressionem o comandante Khalifa Haftar a retirar um bloqueio imposto a campos de petróleo, responsável por reduzir a produção local a quase zero, disse o premiê do país nesta segunda-feira.

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Desde sexta-feira, forças de Haftar fecham os principais portos petrolíferos da Líbia em meio a um jogo de poder. Países europeus, árabes e os Estados Unidos se reuniram com aliados de Haftar em Berlim para pressioná-lo a interromper uma campanha para tomar a capital Trípoli.

O primeiro-ministro reconhecido internacionalmente como líder líbio, Fayez al-Serraj, disse à Reuters que rejeita as demandas de grupos do leste do país, representados pelo comandante, que vinculam a reabertura dos portos a uma nova distribuição de receitas petrolíferas entre os líbios. Para ele, essa receita deveria beneficiar todo o país.

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"Se continuar assim, a situação será catastrófica", disse Serraj em entrevista concedida em Berlim.

"Espero que os países estrangeiros acompanhem a questão", afirmou, quando perguntado se deseja que as potências estrangeiras pressionem Haftar pela retirada do bloqueio aos terminais de exportação de petróleo da Líbia no Mediterrâneo.

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Grande parte da riqueza petrolífera da Líbia está localizada no leste do país, mas as receitas são canalizadas através da petroleira estatal NOC, de Trípoli, que diz que serve a toda a nação e se mantém de fora dos conflitos entre façções.

O governo paralelo de Haftar tentou por diversas vezes exportar petróleo contornando a passagem do produto pela NOC, mas foi impedido por uma proibição da Organização das Nações Unidas (ONU), disseram diplomatas.

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A NOC envia as receitas obtidas com óleo e gás, vitais para a Líbia, ao banco central de Trípoli, que trabalha principalmente com o governo de Serraj, embora também financie parte dos salários de funcionários públicos, combustíveis e outros serviços no leste, controlado por Haftar.

Um documento enviado a operadores de petróleo e visto pela Reuters nesta segunda-feira apontou que a NOC declarou força maior para os carregamentos de petróleo dos campos de Sharara e El Feel, localizados no sudoeste do país.

Ao menos nove navios deveriam ser carregados nos próximos dias em portos que agora estão sob força maior, segundo uma fonte do setor. A NOC já havia declarado anteriormente força maior para os portos da costa nordeste da Líbia.

A Líbia não tem uma autoridade central estável desde que o ditador Muammar Gaddafi foi derrubado por rebeldes apoiados pela Otan em 2011. Por mais de cinco anos, o país teve dois governos rivais, no leste e no oeste, com ruas controladas por grupos armados.

(Por Ulf Laessing e Nadeen Ebrahim em Berlim, com reportagem adicional de Julia Payne e Ahmad Ghaddar em Londres)

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