Estivadores do Porto de Santos consideram greve por causa do coronavírus

Por Ana Mano

SÃO PAULO (Reuters) - Um sindicato que representa cerca de 5 mil trabalhadores avulsos portuários convocou seus membros nesta sexta-feira para que votem na próxima segunda se entrarão em greve no Porto de Santos, o maior da América Latina, devido às preocupações com o risco do coronavírus.

Rodnei Oliveira da Silva, presidente do Sindicato dos Estivadores, afirmou em um vídeo postado nas redes sociais que a votação ocorrerá em frente à sede da entidade. O porto é o maior exportador de café, açúcar, soja, milho e algodão do Brasil.

"Vamos deliberar greve ou não no Porto de Santos sobre a pandemia do coronavírus, haja visto o risco que os trabalhadores estão correndo no maior porto da América Latina. Risco este (que também existe) para os seus familiares e a população da Baixada Santista", disse Silva.

O Sindicato dos Operadores Portuários do Estado de São Paulo (Sopesp) não comentou de imediato a ameaça de greve.

A Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), autoridade portuária de Santos, disse que não negocia diretamente com os trabalhadores, uma vez que a organização é responsável apenas por manter a infraestrutura do porto, pedindo que as questões fossem repassadas ao Sopesp.

A autoridade portuária acrescentou que ao longo do tempo os operadores do porto de Santos vêm reduzindo a utilização de estivadores avulsos, mas se recusou a comentar sobre qualquer impacto da iniciativa dos trabalhadores.

Regis Prunzel, presidente do Sopesp, disse nesta semana que um comitê de crise foi criado com representantes de todos os segmentos que atuam no porto, e que um acordo foi alcançado com os trabalhadores para manter as atividades portuárias funcionando normalmente.