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EXCLUSIVO-Indústria açucareira da China pressionará governo para estender tarifas

Economia|Do R7

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Por Hallie Gu e Dominique Patton

PEQUIM (Reuters) - As usinas de açúcar chinesas planejam pedir ao Ministério do Comércio do país que estenda tarifas pesadas sobre as importações do adoçante que Pequim impôs em 2017 para proteger o setor em dificuldades, segundo duas fontes e um esboço do plano visto pela Reuters.

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O plano para solicitar uma extensão das tarifas foi discutido em uma reunião organizada pela Associação Chinesa de Açúcar na quinta-feira.

Se implementada alguma proposta do gênero, isso poderia representar um revés para a indústria do Brasil, maior exportador global de açúcar, que conta com a não renovação da política de salvaguarda da China a partir do ano que vem.

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As medidas comerciais de Pequim sobre as importações de açúcar, que devem expirar em 21 de maio de 2020, "desempenharam um papel efetivo na salvaguarda do interesse da indústria nacional e na promoção do desenvolvimento saudável e estável do setor", afirmou o documento datado de 5 de setembro.

O setor açucareiro da China tem lutado para competir com rivais estrangeiros devido aos seus custos de produção mais altos.

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Os preços do açúcar branco chinês também caíram em 2018, em meio a um excedente de oferta global, empurrando muitos produtores para o vermelho.

A Associação de Açúcar de Guangxi, a principal região produtora de adoçantes da China, enviará o pedido de extensão das tarifas em nome de toda a indústria açucareira, de acordo com o documento.

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Uma fonte familiarizada com o assunto confirmou que o grupo da indústria está consultando advogados e especialistas e redigindo a solicitação a ser submetida ao governo.

Não está claro quando a associação de Guangxi apresentará o plano ou qual será a resposta de Pequim, já que outros grandes exportadores de açúcar continuam pressionando a China a abandonar a proteção comercial para conter as importações.

"As medidas de salvaguarda são uma questão muito complicada. A aplicação ainda é apenas um plano. Não é fácil estender (as medidas)", disse uma das fontes que foram informadas sobre o plano.

Separadamente, a Associação de Açúcar da China também analisará a possibilidade de uma investigação antidumping e antissubvenções sobre produtos de açúcar importados, de acordo com um segundo esboço de documento discutido na reunião de quinta-feira.

Alguns países e regiões exportadoras de açúcar embarcam produtos a preços abaixo do custo ou com subsídios, o que prejudicou a indústria da China, afirmou o documento.

O projeto não descreve as tarifas propostas se as medidas de salvaguarda forem estendidas.

A China, em maio de 2017, atingiu os principais países exportadores com tarifas pesadas sobre os embarques de açúcar, após anos de lobby das usinas chinesas.

O governo chinês começou a cobrar tarifas extras sobre importações de açúcar fora da cota de todas as origens em agosto do ano passado.

A China permite 1,94 milhão de toneladas de açúcar importadas por ano a uma tarifa de 15% como parte de seus compromissos com a Organização Mundial do Comércio (OMC). Importações fora da cota cobram uma tarifa mais alta e precisam de permissões especiais.

As importações além de 1,94 milhão de toneladas têm 50% de tarifa. A decisão de 2017 adicionou uma taxa extra de 45% a essas importações naquele ano fiscal, elevando o total a 95%. A taxa caiu para 90% 2018/2019 e 85% em 2019/2020.

Até o início da salvaguarda, a China era o maior mercado do Brasil, com exportações brasileiras que ultrapassavam 2,5 milhões de toneladas por ano-safra, disse a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), anteriormente.

Em 2017/2018, com a política chinesa em vigor e as relações bilaterais abaladas por um processo na OMC, o volume caiu para apenas 115 mil toneladas.

A Unica disse em maio que acordo alcançado com a China evitou um painel na OMC.

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