Exportação de dispositivos médicos para os EUA cai 30,4% após novas tarifas impostas por Trump
Para compensar a perda de mercado, o Brasil ampliou remessas para a Europa e a América Latina. O setor acumulou, até o mês de agosto, US$ 761,7 milhões movimentados
Economia|Bruna Pauxis, do R7, em Brasília
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Com as novas medidas tributárias impostas pelo governo norte-americano, que estabelece tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, as exportações de dispositivos médicos para o mercado dos EUA caíram 30,04% em agosto, quando comparadas a julho. O valor registrado no oitavo mês do ano foi de US$ 21,2 milhões, o menor número constatado em 2025.
O levantamento, realizado pela Associação Brasileira da Indústria de Dispositivos Médicos (ABIMO), contabiliza exclusivamente dispositivos médicos, desde insumos de laboratório até equipamentos como sondas, catéteres, válvulas cardíacas, suturas cirúrgicas, artigos ortopédicos e equipamentos odontológicos. De acordo com a pesquisa, os segmentos mais afetados com as novas tarifas foram o de odontologia (-93,09%), reabilitação (-85,02%) e equipamentos médicos (-59,94%).
“A tarifa norte-americana trouxe um impacto imediato e profundo sobre nossas vendas, especialmente em segmentos de maior valor agregado. Isso mostra o quanto o Brasil ainda depende de poucos mercados estratégicos”, defende a porta-voz da ABIMO, Larissa Gomes.
De acordo com Gomes, o setor adotou como estratégia a ampliação do mercado, ao aumentar a exportação para a Europa em 44,51%, com foco em países como Espanha (+632,59%), França (+238,77%) e Suíça (+130,72%). Além desses destinos, os insumos foram conduzidos, também, para a América Latina, visando mercados como México (+28,34%) e Bolívia (+56,18%).
“O redirecionamento para a América Latina e a Europa comprova que existe demanda para a produção brasileira, mas precisamos garantir condições de competitividade para que esse movimento se sustente no longo prazo”, completa a porta-voz.
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Mercado movimentado
Mesmo com a perda de mercado ocasionada pelas tarifas norte-americanas, o ano de 2025 acumula desempenho superior ao registrado no ano passado. De janeiro a agosto, as exportações brasileiras de dispositivos médicos, para todos os países, somaram US$ 761,7 milhões, o que representa uma alta de 6,83% em relação ao mesmo período de 2024.
As importações também seguiram o padrão das remessas e registraram, no mês de agosto, queda de 6,16% em relação a julho e 11,02% abaixo de agosto de 2024. Mesmo assim, o acumulado anual totaliza US$ 7,23 bilhões, alta de 8,37% em relação ao ano anterior.
Mesmo com retração de quase 20% após as novas tarifas, os Estados Unidos seguem como principal origem das importações brasileiras, reunindo 16,57% da mercadoria total. De acordo com o levantamento, porém, durante o mês de agosto cresceram as importações vindas da China (+3,15%), Japão (+38,93%), França (+39,77%) e Reino Unido (+65,40%).
Para Gomes, alguns fatores podem contribuir na competitividade da indústria nacional no exterior, como o crescimento nos investimentos em pesquisa e desenvolvimento, o posicionamento global da indústria da saúde do Brasil e a agilidade no cumprimento do regulatório internacional.
“Sobre esse último ponto, por se tratar de um setor altamente regulado, as empresas exportadoras precisam assegurar, antes de iniciar a comercialização no país, a conformidade com os requisitos estabelecidos pelo Ministério da Saúde ou pela autoridade sanitária local”, explica a especialista.
Ainda segundo Gomes, a produção de dispositivos médicos brasileira é a maior da América do Sul, conseguindo suprir 95% da demanda nacional. “Produzimos desde bens descartáveis a instrumentos e equipamentos de alta tecnologia. Em termos de produção e exportação, a indústria brasileira é referência, sendo a maior exportadora de dispositivos médicos da região”, completa.
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