Exportação de ouro do Brasil dispara 72% em fevereiro com alta demanda global
Instabilidade econômica e conflitos internacionais ampliam procura pelo metal, considerado reserva de valor em períodos de incerteza
Economia|Deborah Hana Cardoso, da RECORD Brasília
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Dados divulgados pelo MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio) indicam forte avanço nas exportações brasileiras de ouro não monetário em fevereiro de 2026, na comparação com o mesmo mês de 2025. O valor saltou de US$ 407 milhões para US$ 700 milhões, crescimento de cerca de 72%.
O movimento acompanha a valorização internacional do metal e o aumento da procura por ativos considerados seguros em momentos de instabilidade econômica.
“O ouro, nós sabemos que em um período de incerteza econômica, é um ativo que ganha muito preço. Então, observamos o ouro subindo por esse efeito de preço”, disse Herlon Alves Brandão, diretor do Departamento de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior da pasta.
Veja:
Segundo o site Real365, no dia 5 de fevereiro de 2025, o metal era negociado a R$ 529,59 por grama no mercado internacional. Em fevereiro deste ano, a cotação atingiu R$ 830,97, alta de 56,9%.
Em junho do ano passado, o R7 antecipou tendência de aumento da procura pelo minério. Investidores passaram a buscar o metal como alternativa ao dólar diante de tensões geopolíticas e decisões adotadas pela Casa Branca.
Principais compradores
O maior comprador de ouro brasileiro em fevereiro de 2026 foi o Canadá, responsável por 46,9% das exportações do metal.
Na sequência aparece a Suíça, com 26,4% da produção enviada ao exterior.
O padrão se repete ao observar o ano anterior. Em 2025, o Canadá adquiriu 49,3% do ouro exportado pelo Brasil, enquanto a Suíça respondeu por 23,7% das compras.
Incertezas impulsionam busca pelo metal
A procura por ouro não envolve somente investidores individuais. Governos, empresas e bancos também ampliam reservas para fortalecer lastro financeiro e proteger patrimônio em períodos de instabilidade.
O cenário internacional tem contribuído para esse movimento. A possível interrupção do tráfego no estreito de Ormuz gera preocupação no comércio global. Caso ocorra fechamento da rota, navios poderão ser obrigados a contornar a África pelo Cabo da Boa Esperança, trajeto mais longo e caro.
Investidores também acompanham os desdobramentos da guerra no Leste Europeu, envolvendo Rússia e Ucrânia, além da pressão norte-americana sobre a Groenlândia, território autônomo ligado à Dinamarca.
A gestão do presidente Donald Trump, nos Estados Unidos, ampliou tensões diplomáticas na América do Sul após a ação do DEA (Departamento Antidrogas dos Estados Unidos) contra o ditador venezuelano Nicolás Maduro, realizada no início do ano.
O Oriente Médio também voltou ao centro das atenções. O governo israelense intensifica ofensivas contra células do Hamas e do Hezbollah, enquanto a morte do aiatolá Ali Khamenei ampliou dúvidas sobre a estabilidade da principal região produtora de petróleo do planeta.
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