Exportações para a China disparam 30% após fim da política Covid zero
Principais parceiros impulsionaram o melhor resultado da história da balança comercial brasileira no mês de março, avalia o Icomex
Economia|Do R7

O fim das restrições chinesas para conter a disseminação do novo coronavírus impulsionou em 29,6% o volume de exportações brasileiras para o país asiático, nosso maior parceiro comercial, segundo a análise divulgada nesta terça-feira (18) pela FGV (Fundação Getulio Vargas).
O movimento foi determinante para o avanço da balança comercial brasileira no mês de março, quando as exportações superaram as importações em quase 11 bilhões de dólares, o maior saldo na série histórica para o mês. Os dados sugerem que a dependência da China para a melhoria das exportações deverá se acentuar esse ano, afirmam os responsáveis pelo Icomex (Índice de Comércio Exterior).
No mês, a melhora do desempenho exportador é liderada pelo aumento do volume exportado, que cresceu 17,5% na comparação mensal, enquanto os preços exportados recuaram em 4,7%. No caso das importações, o volume importado caiu 1,4%, e os preços subiram 2,8%.
"A União Europeia tem elevado sua participação na pauta brasileira devido às restrições da Guerra da Ucrânia; mas a desaceleração esperada na região sugere que a contribuição desse mercado não deve aumentar", destaca o estudo.
Sobre a Argentina, o terceiro maior parceiro do Brasil, houve crescimento de compras brasileiras, em especial do setor automotivo. "Como esse é um comércio administrado, as decisões das multinacionais podem estar influenciando nos resultados, apesar da crise econômica do país", avalia a FGV.
1º trimestre
No acumulado do primeiro trimestre de 2023, o saldo da balança comercial foi de 15,8 bilhões de dólares, superior ao do primeiro trimestre de 2022, que foi de 12,2 bilhões de dólares. Em valor, as exportações aumentaram 4,8% e as importações recuaram 0,3%.
A variação no volume exportado (4,7%) explica o desempenho positivo, em valor, das exportações. O recuo das importações foi liderado pela queda do volume (4%), pois foi registrado um aumento de preços de 3,8%.
Na comparação com 2022, os preços recuaram e/ou registraram variações abaixo dos dois dígitos, o que foi um dos fatores de pressão inflacionária naquele ano. Até o momento, o comportamento em valor dos fluxos de comércio está sendo liderado pelos volumes.
As exportações de matérias-primas, em março, cresceram em valor 13,8%, e as de não commodities, 9,1%. Na comparação do mês de março, o volume das commodities cresceram 19,5%, e o das não commodities, 6,1%. A variação dos preços foi negativa para as commodities (-5,0%) e positiva para as não commodities (2,7%).
No período compreendido entre janeiro e março, a variação do volume exportado das matérias-primas (3,1%) supera o das não commodities (1,6%), enquanto, para os preços, o resultado é o inverso: o aumento de preços das não commodities supera o das commodities. Em valor, as exportações de commodities aumentaram 3,6% e as das não commodities, 7,2%.
As importações, em valor, das commodities aumentaram 11%, e as das não commodities, 0,3%. A variação do volume importado das commodities foi de 20,5%, mas os preços recuaram em 8,2%, o que explica o aumento em valor de 11%. As importações, em volume, das não commodities recuaram em 3,5%, e os preços aumentaram 4%.















