Fim da escala 6x1: ‘Pequeno empresário vai sofrer mais’, afirma professor
Especialista diz que redução da jornada é ótima para o trabalhador, mas pode resultar em aumento de preços e demissões
Economia|Do R7, com RECORD NEWS
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Seria a escala 6x1 coisa do passado? Um estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) mostrou que a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais teria um custo semelhante ao dos reajustes do salário mínimo no Brasil.
Em outras palavras, alguns dias de folga adicionais poderiam ser adicionados nas semanas dos trabalhadores. Especialmente aqueles que integram os setores da indústria e comércio, cujo impacto direto seria inferior a 1% do custo operacional. Já serviços como vigilância, segurança e investigação ficariam mais afetados, com uma porcentagem aproximada de 6,6%.
Toda vez que uma mudança grande como essa ocorre, explica o professor de macroeconomia Ricardo Hammoud, todos acabam sentindo os efeitos de maneiras diferentes.
A redução da jornada equivaleria, de certa forma, a um aumento de salário ao funcionário, mas o especialista é franco no Hora News desta terça (10): “Não existe almoço grátis, alguém terá que pagar essa conta”. Ele avalia que apesar das folgas serem positivas para quem adota a escala, pode haver um aumento do custo dos produtos para compensar a falta de mão de obra disponível ao longo da semana.
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Hammoud esclarece que seria até a favor da nova escala, contato que houvesse um planejamento anterior para evitar os possíveis danos: “O Brasil costuma colocar algumas coisas na frente de outras. Acredito que o caminho seria primeiro aumentar a produtividade e aí reduzir a jornada de trabalho”.
O professor cita o experimento feito na França para avaliar por meio de testes os impactos reais que a redução traria para a economia e criar planos de contingência que visem impedir as consequências mais brutais. No meio da conversa, ele também destaca que pequenos empreendedores sofreriam com a nova escala, já que diferentemente das grandes empresas, não poderiam contar com uma grande mão de obra e nem cobrar preços muito altos dos consumidores.
No momento, tudo ainda parece muito misterioso para o analista, que dúvida da efetividade do projeto pela falta de experimentos: “É sempre muito difícil saber como isso irá se adaptar. [...] Seguramente no começo vai ter um impacto positivo para algumas pessoas e negativo para outros. [....] deveríamos começar com alguns setores e então espalhar para a economia como um todo”.
O assunto, entretanto, é constantemente discutido pela população e incentivado pelo governo, algo que na visão de Hammoud talvez seja uma estratégia eleitoral: “Estão tentando vender isso com uma vitória do governo. [...] Às vezes uma política que parece ótima inicialmente pode ter efeitos ruins para a economia no futuro”.
O que pode ser feito caso a política seja de fato adotada é a criação de medidas públicas compensatórias, como isenções fiscais e benefícios, mas que ainda assim a inflação seria um problema para colocá-las em prática: “Na economia o cobertor é curto, não dá para cobrir os pés e a cabeça simultaneamente, então você tem que escolher quem você quer agradar”.
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