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Governadores rejeitam pedido de Lula para reduzir ICMS sobre combustíveis

Entidade aponta ‘dupla perda’ e diz que União deve usar seus próprios recursos para conter preços

Economia|Augusto Fernandes, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Governadores rejeitam pedido de Lula para redução do ICMS sobre combustíveis.
  • Comsefaz aponta que cortes anteriores não resultaram em queda nos preços para o consumidor.
  • Redução do ICMS comprometeria financiamento de serviços essenciais e afetaria recursos municipais.
  • Entidade sugere que a União utilize seus próprios recursos para lidar com a volatilidade dos preços dos combustíveis.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Brazil's President Luiz Inacio Lula da Silva looks on during a joint press statement at the Planalto Palace, in Brasilia, Brazil, March 16, 2026. REUTERS/Adriano Machado
Lula tinha pedido para governadores cortarem imposto em meio à alta do petróleo Adriano Machado/Reuters - 16.3.2026

Os governadores dos estados e do Distrito Federal decidiram não atender ao pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para reduzir o ICMS sobre combustíveis.

Em manifestação oficial, o Comsefaz (Comitê Nacional de Secretários de Fazenda, Finanças, Receita ou Tributação dos Estados e do Distrito Federal) afirmou que a medida não traria benefícios reais ao consumidor e poderia causar prejuízos significativos às finanças públicas.


O posicionamento foi divulgado após Lula solicitar “boa vontade” dos governadores, na semana passada, durante o anúncio de medidas federais para conter a alta do diesel, incluindo a redução de tributos federais como PIS e Cofins.

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No documento, o Comsefaz sustenta que cortes anteriores no ICMS não resultaram em queda proporcional nos preços nas bombas. Segundo a entidade, há evidências de que reduções tributárias acabam sendo absorvidas ao longo da cadeia de distribuição e revenda, sem chegar integralmente ao consumidor final. Como exemplo, o comitê cita que, em um período de três anos, o preço da gasolina caiu 16% nas refinarias, mas subiu 27% nos postos.


“Não há, portanto, base empírica consistente para sustentar que uma nova perda do ICMS resultaria em benefício efetivo para a população, não entregando o efeito de fato esperado. Insistir nessa premissa desconsidera a dinâmica real do mercado de combustíveis e pode impor aos estados uma perda fiscal concreta, sem a correspondente contrapartida social”, destacou o Comsefaz.

Outro ponto citado pela entidade é o impacto nas contas públicas. O comitê alerta que a redução do imposto comprometeria o financiamento de serviços essenciais, como saúde, educação, segurança pública, transporte e infraestrutura.


A entidade classifica o cenário como uma “dupla perda”: o consumidor não perceberia alívio significativo no preço e, ao mesmo tempo, haveria redução nos recursos destinados a políticas públicas.

“Em vez de produzir alívio real nas bombas, uma nova redução do ICMS pode, na prática, enfraquecer a capacidade do poder público de atender justamente a população que se pretende proteger”, afirmou a entidade.


Além disso, o Comsefaz destaca que os municípios também seriam afetados diretamente. Pela Constituição, 25% da arrecadação do ICMS é repassada às prefeituras, o que significa que qualquer redução no tributo impacta automaticamente as receitas municipais.

O comitê defende que o governo federal utilize seus próprios instrumentos fiscais para enfrentar a volatilidade dos preços dos combustíveis. Entre as alternativas, cita o uso de recursos e dividendos do setor petrolífero.

Apenas a parcela dos dividendos da União na Petrobras correspondeu, em 2025, a aproximadamente metade de tudo o que os estados arrecadaram com o ICMS incidente sobre o diesel. Esse dado evidencia que, ao contrário dos entes subnacionais, a União possui instrumentos fiscais e patrimoniais mais amplos para absorver ou mitigar choques nesse mercado, sem transferir novamente aos Estados e aos Municípios o ônus principal de dificultosa tentativa política de formação de preços. Em um contexto de volatilidade internacional, é necessário que o debate federativo considere também essa diferença estrutural de capacidade fiscal e de exposição às receitas do setor.

(Nota da Comsefaz (Comitê Nacional de Secretários de Fazenda, Finanças, Receita ou Tributação dos Estados e do Distrito Federal))

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