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Governo acredita em aprovação de mudança de LDO e Orçamento, mas sofrerá resistência

Economia|Do R7

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Por Luciana Otoni e Jeferson Ribeiro

BRASÍLIA (Reuters) - O governo federal acredita que conseguirá aprovar no Congresso Nacional projetos relativos às contas públicas deste e do próximo ano, e que não corre o risco de paralisação das atividades por falta Orçamento, avaliou uma fonte governamental próxima da equipe econômica.

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Apesar do otimismo, o governo terá alguns obstáculos pela frente no Congresso.

O projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2015, que serve de base para o orçamento do próximo ano, ainda tramita no Congresso, sem previsão de votação em plenário. Sem a aprovação da LDO, o governo não tem como gerenciar as suas contas em 2015, já que os gastos ficam restritos praticamente ao pagamento do funcionalismo.

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"Não vejo (na área econômica) preocupação com essa questão", disse a fonte, que pediu para não ser identificada. "Geralmente há um acordo para votação dessas matérias."

O governo também terá que encaminhar nos próximos dias ao Congresso projeto alterando a meta de superávit primário prevista na LDO de 2014, pois não terá condições de cumprir a meta estabelecida na lei.

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A LDO prevê uma meta de economia para o pagamento dos juros da dívida neste ano, o chamado superávit primário, de 99 bilhões de reais, equivalente a 1,9 por cento do Produto Interno Bruto, já considerando os descontos permitidos.

Mas com o fraco crescimento afetando as receitas, juntamente com elevadas desonerações, de janeiro a setembro, o setor público consolidado --governo central, Estados, municípios e estatais-- teve um déficit primário, não superávit, de 15,3 bilhões de reais, o primeiro na série histórica do BC, iniciada em 2002. Com isso, ficou inviável o cumprimento da meta como estabelecida na LDO.

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Uma fonte da oposição no Congresso disse à Reuters, sob condição de anonimato, que há um movimento articulado dos oposicionistas com a bancada do PMDB, o maior partido aliado do governo na Câmara, para dificultar a votação da alteração da meta.

Um dos motivos, segundo essa fonte, seria a posição contrária do governo às articulações do líder da bancada do PMDB, deputado Eduardo Cunha (RJ), para chegar à Presidência da Câmara no ano que vem.

O atraso na votação desses projetos ocorre em meio a cenário político difícil, em que a presidente Dilma Rousseff, reeleita em outubro, monta a sua equipe para o segundo mandato e tenta garantir apoio da sua base aliada no Congresso.

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VETOS

Em ação para destravar a pauta vinculada às contas públicas, a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, participa nesta terça-feira de audiência pública na Comissão Mista de Orçamento do Congresso para falar sobre a proposta orçamentária de 2015.

A ministra, no entanto, não deverá revelar qual é a nova meta de superávit primário para este ano. Segundo informou o Ministério do Planejamento, esta questão será objeto de mensagem da presidente Dilma Rousseff, a ser publicada no Diário Oficial da União, justificando o encaminhamento ao Congresso de projeto alterando a LDO. A tendência é isso ocorra nesta semana, disse à Reuters uma fonte do governo.

O líder do governo no Congresso, senador José Pimentel (PT-CE), disse que o Executivo ainda não está tratando da operação política do projeto que irá alterar a meta de superávit de 2014, porque a maior preocupação no momento é votar os vetos presidenciais no Congresso e desobstruir a pauta de votação do Legislativo.

"Haverá uma sessão do Congresso para apreciar vetos no dia 18", disse. "Essa é a nossa maior preocupação no momento", acrescentando que há mais de 50 vetos trancando a pauta do Congresso. Sem a apreciação dos vetos, o projeto alterando a meta não pode ser votado em sessão do Congresso, que reúne deputados e senadores.

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que preside as sessões do Congresso, deve reunir os líderes partidários da Câmara e do Senado nessa semana para analisar a votação dos vetos na próxima semana. Nesse encontro, o governo tentará fechar um acordo para votação das questões orçamentárias depois de encerrar a análise dos vetos.

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ORÇAMENTO 2015

Em relação à proposta orçamentária do próximo ano, o presidente da comissão mista, deputado Devanir Ribeiro (PT-SP), informou que os parlamentares estão na expectativa de que a ministra apresente parâmetros atualizados para a avaliação do projeto de lei de Orçamento de 2015, entre os quais uma nova previsão para o crescimento do país.

O projeto de lei orçamentária enviado ao Congresso em agosto prevê expansão de 3 por cento do PIB no próximo ano.

"A ministra fará essa audiência para que possamos discutir o Orçamento com informações mais próximas da realidade", disse.

Economistas de instituições financeiras consultados pelo Banco Central na pesquisa Focus, divulgada nesta segunda-feira, voltaram a reduzir a previsão de expansão de 2015 a 0,80 por cento ante 1 por cento estimado na semana anterior.

A participação da ministra na comissão cumpre a agenda de tramitação do projeto do Orçamento do próximo ano, e as suas informações darão suporte para a elaboração do relatório do Orçamento.

A votação do relatório preliminar da LDO de 2015 também está na pauta de terça-feira da Comissão Mista de Orçamento. Caso seja efetivamente aprovado, será aberto prazo para apresentação de emendas e somente após esse procedimento será elaborado o relatório final a ser votado em comissão e posteriormente no plenário do Congresso.

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