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Governo prepara mudanças no setor de gás com perda de relevância da Petrobras

Economia|Do R7

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Por Marta Nogueira

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O Ministério de Minas e Energia se prepara para elaborar até novembro novas políticas e diretrizes para o setor de gás natural, necessárias diante do cenário de redução da participação da Petrobras no segmento.

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"Esse movimento da Petrobras associado à crise de modo geral faz com que a gente tenha que se mexer e buscar uma forma de se organizar", afirmou nesta terça-feira o secretário de Óleo e Gás do ministério, Márcio Félix, durante seminário sobre gás natural do Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP).

Segundo ele, essa é uma realidade que "representa uma oportunidade de diversificação dos agentes setor", e que vai na direção das necessidades decorrentes da crise financeira pela qual passa a Petrobras, que busca reduzir sua participação em ativos para fazer frente à elevada dívida.

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No mesmo evento, o diretor-executivo de Refino e Gás Natural da petroleira, Jorge Celestino, reiterou que a empresa busca minimizar qualquer investimento na área de logística e que irá reduzir seu papel no setor de distribuição de gás, por meio da mudança do controle de transportadoras, abertura de terminais de Gás Natural Liquefeito (GNL) para terceiros e parceria em dutos de escoamento, dentro do plano de desinvestimentos.

Segundo Celestino, a transição será suave e não irá afetar a continuidade do suprimento.

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Para a elaboração das políticas e diretrizes, o ministério trabalha para elaborar até 30 de setembro uma minuta, que ficará em consulta pública em outubro, segundo Félix.

Dentre as propostas do governo está a criação de um órgão brasileiro desenvolvedor do segmento de gás natural no país, que funcionaria como um operador das demandas e ofertas do insumo no país, por meio de suas diversas rotas, além de outras atribuições.

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Ainda não há informações detalhadas sobre esse novo órgão, mas ele poderá ser independente do governo, como hoje é o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

Mas Félix explicou que o papel do novo órgão será maior e diferente.

O novo órgão poderia passar a existir no próximo ano, segundo o secretário, já que não há tempo para isso ainda em 2016.

Félix destacou que o movimento segue a palavra de ordem do presidente interino Michel Temer, de aumentar investimentos no país.

"A gente quer que toda a cadeia de gás natural tenha mais agentes", disse Félix, destacando que esse movimento trará competitividade.

Por sua vez, o presidente do IBP (associação das petroleiras), Jorge Camargo, afirmou que o atual cenário, com a redução da participação da Petrobras e com a crise dos preços do petróleo, está permitindo que o setor privado tenha maior participação, levando à maior transformação desde a abertura do setor, quando houve a quebra de monopólio da exploração e produção da Petrobras.

"São as crises que nos levam a mudar... Realmente é um novo ciclo que estamos começando", afirmou Camargo, destacando que até outubro a Petrobras publicará seu plano de negócios, dando mais visibilidade para o setor como um todo realizar seus próprios planos estratégicos.

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