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Governo vai avançar com revisão da garantia física de hidrelétricas

Economia|Do R7

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Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - O governo federal vai avançar com um processo que prevê a revisão da garantia física das hidrelétricas do país, que representa na prática o volume de eletricidade que os operadores das usinas podem vender no mercado, informou à Reuters nesta quinta-feira o Ministério de Minas e Energia.

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A revisão da oferta de energia hídrica estava originalmente programada para o final de 2014, mas foi adiada sucessivas vezes até a definição do cronograma atual, que prevê a publicação dos novos valores de garantia física até o final de abril, com entrada em vigor a partir de 2018.

Segundo o Ministério de Minas e Energia, a pasta tem trabalhado nos últimos trâmites necessários para divulgar no prazo os números, que podem impactar as finanças de hidrelétricas, dependendo da intensidade da revisão.

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As novas garantias físicas deverão ser divulgadas no Diário Oficial da União ainda na sexta-feira ou nos primeiros dias da próxima semana --caso em que a publicação se daria com data retroativa, de 30 de abril, de acordo com a assessoria de imprensa da pasta.

Em um relatório preliminar sobre o tema, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) apontou que a revisão pode envolver 122 hidrelétricas.

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A garantia física total dessas usinas após a revisão cairia em 3,2 por cento, para 42,6 gigawatts médios, segundo essa estimativa.

Os cálculos, no entanto, foram submetidos pelo ministério a uma consulta pública cujos resultados ainda não foram divulgados.

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IMPACTO NO MERCADO

A garantia física é uma estimativa de quanto uma hidrelétrica conseguiria gerar mesmo em anos críticos, e a revisão periódica do cálculo está prevista em legislação para dar ao governo uma visão realista sobre a oferta de energia hídrica existente e sua capacidade de atender à demanda.

Mas os efeitos da revisão sobre cada usina variam enormemente, e podem ir desde ganho até perdas no volume de energia que pode ser vendida, o que torna o assunto sensível para os investidores.

Para limitar os efeitos financeiros da revisão, a legislação define que cada usina pode ter uma redução de no máximo 5 por cento a cada ciclo de recálculo das garantias, ou de até 10 por cento ao longo do contrato de concessão do empreendimento.

Ainda assim, algumas empresas, como a chinesa Three Gorges Corporation e Furnas, da Eletrobras, sugeriram que a implantação das mudanças seja adotada a partir de 2020 ou de forma escalonada ao longo dos próximos três anos.

"Tendo em vista que uma redução pode impactar expressivamente a saúde financeira de um projeto, é necessário que o empreendedor tenha um tempo hábil para reprogramar sua estratégia", disse Furnas, em contribuição na consulta sobre o tema promovida pelo Ministério de Minas e Energia.

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