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HSBC e investigação sobre cartel põem mais lenha em disputa entre Cade e BC

Economia|Do R7

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A venda de ativos do HSBC no Brasil e a notícia divulgada nesta quinta-feira, 2, da abertura de um processo administrativo contra bancos para investigar um suposto cartel na manipulação de câmbio (real e outras moedas estrangeiras) pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) colocam mais lenha na polêmica sobre quem pode fiscalizar o setor financeiro no Brasil.

O Banco Central alega que é a instituição com mais aptidão para desempenhar a tarefa e que tem condições de cumprir a missão sozinha. Já o órgão antitruste não abre mão dessa área.

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O assunto é polêmico e foi parar no Supremo Tribunal Federal (STF). Após ter avaliado a matéria como não constitucional, ou seja, que estaria fora da alçada do Supremo, o Cade recorreu. A autarquia alega que se a suprema corte pode analisar o código de defesa do consumidor, também cabe a ela o mérito dessa questão.

Em entrevista ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, o presidente do Conselho, Vinícius Carvalho, argumentou que é preciso deixar claro que não se trata de uma briga entre Cade e BC porque o órgão antitruste não quer atuar sozinho nessa área. "O Cade nunca esteve sob questionamento em análises sobre condutas competitivas em qualquer setor da economia, inclusive no de financeiros", argumentou.

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Essa disputa, no entanto, traz insegurança jurídica ao setor, que não sabe ao certo até agora a quem deve satisfação. O caso foi parar na Justiça justamente porque um grande banco brasileiro recebeu uma multa por intempestividade do Cade - em outras palavras, por não avisar dentro do tempo estipulado que estaria fechando determinado negócio - e alegou que o órgão antitruste não teria competência para atuar nessa questão, mas, sim, o BC.

Em 2001, o Cade passou a atuar nos casos do setor financeiro, o que era feito apenas pelo BC, alegando a que Lei Antitruste da época não estipulava quais seriam suas áreas de atuação. A interpretação foi a de que todos os mercados, portanto, poderiam ser investigados. O BC, porém, alega que a lei 4.595/64 deixa claro que o único órgão que pode investigar aquisições, fusões e outras operações de compra e venda de instituições financeiras é a autarquia.

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Para o Cade, não há problema na sobreposição. "Isso já acontece com outros setores regulados", argumentou Carvalho. É o caso, por exemplo, de áreas que têm como referência a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) ou de energia elétrica (Aneel). "A gente está analisando normalmente os casos de conduta e fusões, e o Cade defende a atuação de ambos órgãos."

Nos últimos dias, a venda do HSBC no Brasil já fez lembrar que a Justiça precisa dar um ponto final nessa história. O negócio será apreciado pelo BC e também pelo Conselho.

Hoje, foi a vez da apuração sobre cartel no mercado de câmbio, que teve ponto de partida na autarquia, mas que mexe com informações da autoridade monetária. "Vai começar de fato a investigação e vamos ver exatamente qual é a dimensão desse caso, que é complexo. Vamos aguardar", disse o presidente do Cade. O BC ainda não se pronunciou até agora sobre a abertura de investigação pelo órgão antitruste.

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