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IBGE vê recuo na inflação captada pelo IPCA, mas destaca reajustes ainda altos

Economia|Do R7

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Embora a inflação oficial no País tenha desacelerado na passagem de janeiro para fevereiro, o nível de reajustes de preços continua elevado, avaliou Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índices de Preços do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de 1,27% em janeiro para 0,90% em fevereiro.

"Foi um recuo bastante significativo, ainda mais se observarmos que fevereiro é o mês em que é apropriado o reajuste das mensalidades da educação", ponderou Eulina. "Mas não significa que os preços caíram. O nível de reajustes nos preços continua alto", classificou.

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No ano passado, a taxa de inflação de fevereiro foi de 1,22%, mas houve impacto também dos aumentos nas contas de energia elétrica.

"Aliviou a aceleração (na inflação). Não aliviou o custo de vida, que continua subindo, só que menos do que quando a gente compara com mês anterior", explicou a coordenadora do IBGE.

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A inflação acumulada em 12 meses diminuiu de 10,71% em janeiro para 10,36% em fevereiro, no primeiro arrefecimento registrado desde setembro do ano passado. Apenas quatro entre as 13 regiões pesquisadas no País acumulam aumentos de preços abaixo dos 10% nos 12 meses encerrados em fevereiro.

"Varias regiões estão acima dos 10%. Significa que o custo de vida aumentou, ainda que tenha havido desaceleração dos preços de janeiro para fevereiro", disse Eulina.

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Demanda

Para o IBGE, o arrefecimento na demanda dos consumidores já começa a se refletir em altas mais modestas de preços na inflação medida pelo IPCA. Segundo Eulina, o movimento pode ser percebido pela primeira vez no IPCA de fevereiro. Por ter caráter inicial e ocorrer em meio a outras pressões altistas - como o câmbio e problemas climáticos -, ainda não é generalizado entre os itens pesquisados.

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"Já há reflexos da demanda sobre os preços", confirmou Eulina. "(A demanda fraca) Já tem se mostrado através dos dados de comércio varejista, tem se mostrado na indústria e tem se mostrado inclusive no setor de serviços", lembrou ela.

Itens que já registraram aumentos menores ou até queda de preços por conta de alguma relação com a demanda mais fraca foram as passagens aéreas, alimentação fora de casa, motel, hotel, serviços médicos e dentários e até alguns alimentos, como as carnes.

"Nas carnes, a arroba favorável aos pecuaristas e a exportação estão facilitando a manutenção dos preços. Mas o mercado interno começa a reagir. As pessoas reduzem o consumo de carne, ainda mais nessa época próxima à Páscoa, e aumentam o de frango e carne suína", explicou Eulina.

Outro item que aumentou menos do que o esperado este ano por conta de cautela em relação à demanda foi a mensalidade escolar. O reajuste dos cursos regulares ficou em 7,43% em fevereiro, patamar semelhante ao verificado em anos anteriores no mês de fevereiro.

Os aumentos praticados nessa época do ano nas mensalidades costumam pelo menos repor a inflação acumulada no ano anterior. Segundo Eulina, como o IPCA teve alta de 10,67% em 2015, esse reajuste ficou aquém da inflação e mostra uma cautela maior do setor educacional em repassar o aumento de custos.

"O que estamos vendo neste ano são até algumas reduções em relação ao ano anterior. Há muitas negociações de pais de alunos no sentido de reduzir o próprio reajuste, dadas as dificuldades em termos de desemprego e tudo mais", explicou Eulina.

Em fevereiro de 2015, os cursos regulares subiram 7,24%, contra uma inflação de 6,41% acumulada pelo IPCA no ano anterior. Em fevereiro de 2014, a alta nos cursos regulares foi de 7,64%, ante um IPCA acumulado de 5,91% em 2013.

"Tem muita gente saindo de escola particular para escola pública, muita gente saindo de cidades grandes para cidades menores, onde tem escolas com preços mais baixos. E há também muito professor de escola particular sendo demitido", acrescentou a coordenadora do IBGE.

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