Ibovespa desaba mais de 15% em pregão com circuit breaker após reeleição de Lula
Reeleição de petista contrariou as expectativas do mercado e trouxe preocupações sobre o cenário fiscal do país
Economia|Do R7, com Reuters
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O Ibovespa desabava nesta segunda-feira (26), com a B3 acionando o mecanismo de “circuit breaker” na abertura do pregão, após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na véspera, que contrariou as expectativas do mercado e trouxe preocupações sobre o cenário fiscal do país.
Por volta das 14h, o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, caía 15,02%, a 174.267 pontos, voltando para níveis de agosto. Caso mantenha esse ritmo até o fechamento, será o pior desempenho percentual em um dia desde 10 de setembro de 1998, período marcado pela moratória russa. Naquele dia, a sessão encerrou em queda de 15,8%.
O volume financeiro no pregão desta segunda-feira era bem acima da média, somando mais de R$ 33 bilhões.
Circuit breaker
O “circuit breaker” suspendeu por 30 minutos a negociação de ativos à vista, renda fixa privada e opções referenciadas em ações, BDR, Ibovespa, Ibovespa B3 BR+, IBrX-50, Índice Small Cap e ETFs. No aviso, a B3 citou queda de 10%. O Ibovespa chegou a 169.516,43 pontos logo após a retomada dos negócios, queda de 17,34%.
A última vez que a bolsa precisou acionar o mecanismo foi em março de 2020, com o mercado reagindo negativamente a medidas relacionadas à pandemia da Covid-19. No mercado futuro, a B3 ampliou duas vezes o limite de queda do contrato do Ibovespa e dos mini, primeiro de 10% para 15% e depois de 15% para 20%.
De acordo com agentes financeiros, o mercado vinha se posicionando para uma vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição, principalmente após o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro liderar o primeiro turno. E investidores enxergavam uma mudança em Brasília como uma possibilidade de melhora das contas públicas do país.
“Isso naturalmente gera um ajuste grande nos portfólios e, sem dúvida, uma preocupação principalmente com os próximos passos e a questão fiscal que precisa ser endereçada pelo Brasil”, afirmou o responsável pela mesa de ações e sócio do BTG Pactual, Jerson Zanlorenzi. “Hoje é um dia clássico de aversão a risco; os investidores preferem sair das posições, colocar recurso em caixa para aguardar um pouco mais os fatos e anúncios antes de se manterem posicionados.”
Para os próximos pregões, Zanlorenzi avalia que o movimento provavelmente tende a suavizar com as posições já ajustadas e o mercado fazendo conta. “Mas hoje é um dia em que realmente as coisas ficam mais irracionais e as posições têm mudanças abruptas.”
De acordo com a equipe de mercados emergentes do UBS Global Wealth Management, a forte valorização dos ativos brasileiros após o desfecho do primeiro turno foi baseada na expectativa de um governo mais favorável ao mercado e de uma consolidação fiscal rápida.
“Uma vitória de Lula implica uma trajetória diferente”, afirmaram em relatório a clientes no final da noite da véspera, destacando que, com base nas informações disponíveis neste momento, ainda não veem um ajuste fiscal concreto suficiente para justificar a reprecificação dos ativos brasileiros observada desde o primeiro turno.
“Assim, esperamos que ações, o real e os juros retornem para níveis próximos aos registrados antes da primeira rodada da eleição, embora seja possível haver um desempenho temporariamente ainda pior do que esses níveis.”
A equipe do Citi também antecipou a recepção negativa, afirmando que o resultado foi contrário às expectativas dos investidores e reforça a assimetria de risco negativa. Mas destacou que a eleição registrou a menor taxa de abstenção desde a retomada das eleições presidenciais diretas no Brasil, em 1989, evidenciando forte engajamento do eleitorado e conferindo maior legitimidade ao resultado.
Lula venceu Flávio por 51,79% a 48,21% dos votos válidos, uma diferença de 4,4 milhões de votos, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), após uma eleição marcada por um adiamento de última hora no fechamento das urnas devido a problemas no deslocamento de eleitores, que levou o candidato derrotado a questionar o resultado.
Destaques
• BTG PACTUAL UNIT desabava 34,09%, em sessão bastante negativa para o setor financeiro, que vinha também sendo um dos mais beneficiados pelas expectativas de vitória de Flávio. BANCO DO BRASIL ON caía 28,56%, BRADESCO PN recuava 25,58%, ITAÚ UNIBANCO PN cedia 15,63% e SANTANDER BRASIL UNIT recuava 3,85%. Listadas nos Estados Unidos, XP afundava 50,97% e Nubank despencava 20,65%.
• PETROBRAS PN recuava 11,78% e PETROBRAS ON perdia 9,66%, também contaminadas pela aversão a risco na bolsa brasileira, em pregão ainda marcado pela queda dos preços do petróleo no mercado internacional. A presidente da estatal, Magda Chambriard, afirmou nesta segunda-feira que a forte queda nas ações se trata de “movimento especulativo” e não reflete os fundamentos da empresa. “A hora é de comprar (ações). Infelizmente não posso”, disse a executiva à Reuters.
• VALE ON subia 5,61%, descolada do viés vendedor no pregão paulista, assim como outras exportadoras, em meio à forte valorização do dólar ante o real, com a cotação chegando a R$5,60 mais cedo nesta segunda-feira. SUZANO ON subia 7,80% e EMBRAER ON tinha elevação de 7,63%.
• MAGAZINE LUIZA ON afundava 55,08%, em dia de forte pressão em papéis sensíveis a juros dado o movimento na curva de DIs. O índice de consumo da B3 caía 26,22%, enquanto o índice do setor imobiliário perdia 28,36%, com CYRELA ON mostrando um tombo de 43,91%.
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