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Ibovespa desaba mais de 15% em pregão com circuit breaker após reeleição de Lula

Reeleição de petista contrariou as expectativas do mercado e trouxe preocupações sobre o cenário fiscal do país

Economia|Do R7, com Reuters

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O Ibovespa caiu mais de 15% após a reeleição de Lula, acionando o "circuit breaker" na B3.
  • A reeleição contrariou as expectativas do mercado, gerando preocupações fiscais e ajuste nos portfólios.
  • Setores financeiros e de petróleo sofreram grandes quedas, enquanto exportadoras como Vale e Suzano registraram alta.
  • A eleição contou com forte engajamento do eleitorado, com Lula vencendo por 51,79% dos votos válidos.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Às 14h, bolsa brasileira despencava 15% puxada pelo recuo dos papéis de bancos Jean Carniel/Reuters – 26.10.2026

O Ibovespa desabava nesta segunda-feira (26), com a B3 acionando o mecanismo de “circuit breaker” na abertura do pregão, após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na véspera, que contrariou as expectativas do mercado e trouxe preocupações sobre o cenário fiscal do país.

Por volta das 14h, o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, caía 15,02%, a 174.267 pontos, voltando para níveis de agosto. Caso mantenha esse ritmo até o fechamento, será o pior desempenho percentual em um dia desde 10 de setembro de 1998, período marcado pela moratória russa. Naquele dia, a sessão encerrou em queda de 15,8%.

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O volume financeiro no pregão desta segunda-feira era bem acima da média, somando mais de R$ 33 bilhões.

Circuit breaker

O “circuit breaker” suspendeu por 30 minutos a negociação de ativos à vista, renda fixa privada e opções referenciadas em ações, BDR, Ibovespa, Ibovespa B3 BR+, IBrX-50, Índice Small Cap e ETFs. No aviso, a B3 citou queda de 10%. O Ibovespa chegou a 169.516,43 pontos logo após a retomada dos negócios, queda de 17,34%.

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A última vez que a bolsa precisou acionar o mecanismo foi em março de 2020, com o mercado reagindo negativamente a medidas relacionadas à pandemia da Covid-19. No mercado futuro, a B3 ampliou duas vezes o limite de queda do contrato do Ibovespa e dos mini, primeiro de 10% para 15% e depois de 15% para 20%.

De acordo com agentes financeiros, o mercado vinha se posicionando para uma vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição, principalmente após o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro liderar o primeiro turno. E investidores enxergavam uma mudança em Brasília como uma possibilidade de melhora das contas públicas do país.

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“Isso naturalmente gera um ajuste grande nos portfólios e, sem dúvida, uma preocupação principalmente com os próximos passos e a questão fiscal que precisa ser endereçada pelo Brasil”, afirmou o responsável pela mesa de ações e sócio do BTG Pactual, Jerson Zanlorenzi. “Hoje é um dia clássico de aversão a risco; os investidores preferem sair das posições, colocar recurso em caixa para aguardar um pouco mais os fatos e anúncios antes de se manterem posicionados.”

Para os próximos pregões, Zanlorenzi avalia que o movimento provavelmente tende a suavizar com as posições já ajustadas e o mercado fazendo conta. “Mas hoje é um dia em que realmente as coisas ficam mais irracionais e as posições têm mudanças abruptas.”

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De acordo com a equipe de mercados emergentes do UBS Global Wealth Management, a forte valorização dos ativos brasileiros após o desfecho do primeiro turno foi baseada na expectativa de um governo mais favorável ao mercado e de uma consolidação fiscal rápida.

“Uma vitória de Lula implica uma trajetória diferente”, afirmaram em relatório a clientes no final da noite da véspera, destacando que, com base nas informações disponíveis neste momento, ainda não veem um ajuste fiscal concreto suficiente para justificar a reprecificação dos ativos brasileiros observada desde o primeiro turno.

“Assim, esperamos que ações, o real e os juros retornem para níveis próximos aos registrados antes da primeira rodada da eleição, embora seja possível haver um desempenho temporariamente ainda pior do que esses níveis.”

A equipe do Citi também antecipou a recepção negativa, afirmando que o resultado foi contrário às expectativas dos investidores e reforça a assimetria de risco negativa. Mas destacou que a eleição registrou a menor taxa de abstenção desde a retomada das eleições presidenciais diretas no Brasil, em 1989, evidenciando forte engajamento do eleitorado e conferindo maior legitimidade ao resultado.

Lula venceu Flávio por 51,79% a 48,21% dos votos válidos, uma diferença de 4,4 milhões de votos, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), após uma eleição marcada por um adiamento de última hora no fechamento das urnas devido a problemas no deslocamento de eleitores, que levou o candidato derrotado a questionar o resultado.

Destaques

• BTG PACTUAL UNIT desabava 34,09%, em sessão bastante negativa para o setor financeiro, que vinha também sendo um dos mais beneficiados pelas expectativas de vitória de Flávio. BANCO DO BRASIL ON caía 28,56%, BRADESCO PN recuava 25,58%, ITAÚ UNIBANCO PN cedia 15,63% e SANTANDER BRASIL UNIT recuava 3,85%. Listadas nos Estados Unidos, XP afundava 50,97% e Nubank despencava 20,65%.

• PETROBRAS PN recuava 11,78% e PETROBRAS ON perdia 9,66%, também contaminadas pela aversão a risco na bolsa brasileira, em pregão ainda marcado pela queda dos preços do petróleo no mercado internacional. A presidente da estatal, Magda Chambriard, afirmou nesta segunda-feira que a forte queda nas ações se trata de “movimento especulativo” e não reflete os fundamentos da empresa. “A hora é de comprar (ações). Infelizmente não posso”, disse a executiva à Reuters.

• VALE ON subia 5,61%, descolada do viés vendedor no pregão paulista, assim como outras exportadoras, em meio à forte valorização do dólar ante o real, com a cotação chegando a R$5,60 mais cedo nesta segunda-feira. SUZANO ON subia 7,80% e EMBRAER ON tinha elevação de 7,63%.

• MAGAZINE LUIZA ON afundava 55,08%, em dia de forte pressão em papéis sensíveis a juros dado o movimento na curva de DIs. O índice de consumo da B3 caía 26,22%, enquanto o índice do setor imobiliário perdia 28,36%, com CYRELA ON mostrando um tombo de 43,91%.

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