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Icatu e Tendências veem perda de fôlego no setor de serviços

Economia|Do R7

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A alta de 4,2% da receita bruta nominal de Serviços em dezembro ante igual mês de 2013, em relação à taxa de 3,7% apurada em novembro na mesma base de comparação, por enquanto não pode ser considerada uma tendência, na opinião do economista-chefe da Icatu Vanguarda, Rodrigo Alves de Melo. Isso porque, segundo ele, a taxa média dos últimos três meses de 2014 desacelerou a 4,4% na comparação com o terceiro trimestre (5,1%).

"Em dezembro foi um pouco melhor, mas não é nada muito bom. São variações nominais (trimestre) de receita relativamente baixas", analisou, lembrando que no começo do ano passado a taxa trimestral tinha vindo mais forte, ficando acima de 8,00%. "Do segundo trimestre em diante, a tendência foi de desaceleração", completou.

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De acordo com Alves de Melo, os dados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) colocam viés de queda no Produto Interno Bruto (PIB) de 2014. "Traz algum risco, mas não é nada exagerado", ponderou.

Para o economista, se as condições do mercado de trabalho se deteriorarem e a renda desacelerar ao longo deste ano, a atividade do setor de serviços também poderá perder fôlego. "Mas é preciso aguardar mais alguns meses para se ter uma avaliação melhor", considerou.

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Tendências

Para o economista Rafael Bacciotti, da Tendências Consultoria Integrada, o resultado de serviços corrobora o quadro de enfraquecimento do setor ao longo do ano passado. "Isso ficou claro em 2014 e culminou em uma queda de 1,1% da receita real de serviços ante 2013", disse, ao referir-se à retração de 1,1% apurada pelo economista para a receita do setor em todo o ano de 2014, já descontada a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

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Cálculos feitos por Bacciotti a pedido do Broadcast mostram que em dezembro houve queda de 2,9% na receita de serviços em termos reais ante recuo de 2,9% em novembro.

Na opinião do economista, a perda de vigor da atividade de serviços reflete os condicionantes de demanda menor do mercado de trabalho, que tem oferecido menos vagas, e também sofre influência da desaceleração da renda real, da restrição do crédito às famílias e da confiança dos consumidores, que está "deprimida". "Isso tem se amplificado para alguns setores. Há um enfraquecimento do consumo e também vemos que a parte da atividade industrial vem demandando menos serviço", afirmou.

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A tendência para 2015, segundo Bacciotti, é a de que este cenário não sofra tanta alteração. A expectativa do economista é de fraqueza do mercado de trabalho, com o nível médio de desemprego passando de 4,8% em 2014 para 6,3% previstos em 2015. "Devemos ver queda na taxa de ocupação, com as empresas ofertando menos vagas e mais pessoas tentando retornar ao mercado de trabalho, e também ter um cenário de corrosão da renda, por causa da inflação elevada", estimou.

Os números calculados pelo economista reforçam a percepção de perda de fôlego do setor ao longo deste ano. Pelas suas estimativas o Produto Interno Bruto (PIB) de serviços - que tem peso superior a 60% no PIB total - deve ter fechado 2015 com estabilidade, após alta de 2,22% em 2013 e crescimento de 0,7% previsto para 2014. "No PIB é possível notar a evolução das condicionantes de crédito (apertado), confiança (baixa) e indústria (fraca) num ambiente de contração da atividade, que vem demandando menos serviço", reforçou.

Nesta sexta-feira, o IBGE informou que a receita bruta nominal de Serviços teve alta de 4,2% em dezembro na comparação com igual mês de 2013. O número é superior à taxa de 3,7% apurada em novembro de 2014 ante novembro do ano anterior e que foi o pior resultado histórico da série do IBGE, que começou em 2012. Em 2014, a receita bruta nominal de Serviços acumulou alta de 6%.

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