Importação de vinhos pelo Brasil cresce 20% nos últimos dois anos e reforça o poder do mercado
Rótulos chilenos e argentinos são os mais consumidos no país; no cenário europeu, Portugal aparece como o principal exportador
Economia|Débora Sobreira, do R7, em Brasília*
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A compra de vinhos estrangeiros pelos brasileiros cresceu 20% no último ano. A informação é do MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), que divulgou dados sobre a importação de vinhos pelo Brasil entre 2023 e 2025.
Segundo a pasta, o valor das importações saltou de US$ 468,1 milhões em 2024 para US$ 561,2 milhões em 2025.
O volume também cresceu, passando de 145,4 milhões de quilos para 166,5 milhões no mesmo intervalo — uma alta de 14,5%. O número representa um consumo de aproximadamente 3 litros por ano pela população adulta.
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Entre as importações, o mercado sul-americano mantém a liderança, com Chile (US$ 213 milhões em 2025) e Argentina (US$ 101,4 milhões) sendo os principais fornecedores ao Brasil. No cenário europeu, Portugal aparece como o principal exportador (US$ 84,4 milhões), mas enfrenta o avanço da Itália, que totalizou US$ 49,4 milhões em 2025.
Para o consumidor, o economista Rodrigo Provazzi afirma que os principais impactos estão na maior variedade e na melhora da relação custo-benefício, especialmente nas faixas intermediárias e premium acessível.
Tendências de crescimento
Diferentemente da tendência de mercados internacionais — onde a redução do consumo de álcool preocupa —, no Brasil, o copo (ou taça) está “meio cheio”. É o que diz o advogado e especialista em vinhos Diogo Dias, que vê o país ainda em fase de amadurecimento no setor.
O consumo de vinho pelos brasileiros passa por uma transformação desde 2020 e está cada vez mais inserido no cotidiano. Um público mais amplo, entre 25 e 44 anos, não reserva mais a bebida apenas para ocasiões especiais, passando a apreciá-la também em momentos de lazer e relaxamento.
Na visão de Davi Dias, o aumento de vinícolas e os investimentos em enoturismo são os responsáveis pelos números levantados pelo Mapa. Ele projeta valores ainda maiores para os próximos anos
Para outros especialistas, o avanço das importações reforça a consolidação de novos hábitos e indica um mercado em expansão. A sommelière Mirella Fantinel, por exemplo, percebe uma maior valorização da experiência gastronômica e da procedência dos rótulos.
Já o diretor da vinícola Castellani Spa na América Latina, Massimo de Grandis, ressalta que a abertura para produtos europeus torna o Brasil um destino estratégico para o mercado global.
Desafios para a produção nacional
Os especialistas entendem que o vinho brasileiro segue avançando em qualidade e reconhecimento, com destaque para espumantes e rótulos de regiões de altitude.
O aumento da concorrência internacional, no entanto, exige novos investimentos em inovação, tecnologia e no fortalecimento das indicações geográficas. Assim como ocorre no exterior, a estratégia nacional agora busca diferenciação por identidade regional e valor agregado, em vez de focar apenas na competição por preço.
Neste cenário, Fantinel destaca que a convivência entre a produção nacional e a importada tende a ser complementar, contribuindo para a expansão do mercado e para a valorização do vinho como patrimônio cultural e gastronômico.
O economista Rodrigo Provazzi concorda que um leque mais amplo de rótulos não significa, necessariamente, o enfraquecimento do setor nacional, mas sinaliza um mercado mais competitivo e exigente.
O peso das tarifas
Além do cenário de redução no consumo de álcool, outro fator-chave que remodelou o mercado internacional foi o início das disputas tarifárias do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O setor de vinhos norte-americano mantém-se como um dos que mais crescem em produção e consumo, sendo que aproximadamente 40% da oferta local é composta por rótulos importados da Europa.
No primeiro mandato de Trump, os produtos europeus enfrentaram uma onda de tarifas e, agora, as ameaças retornam à mesa. “Produtores passam a olhar para parceiros que possam se mostrar mais previsíveis e onde haja a possibilidade de crescimento de consumo”, conclui o especialista Diogo Dias.
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