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Imposto de Renda será 'reformado' para bancar Auxílio Brasil de R$ 600

Projeto que prevê a taxação de lucros destinados a acionistas de empresas deve ser votado após as eleições de outubro

Economia|Do R7

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Governo quer financiar Auxílio Brasil de R$ 600 com imposto sobre dividendos
Governo quer financiar Auxílio Brasil de R$ 600 com imposto sobre dividendos

O governo articula pôr em votação logo após as eleições de outubro a reforma do IR (Imposto de Renda), instituindo a taxação de dividendos (parcela do lucro da empresa que é distribuída aos acionistas) para bancar o Auxílio Brasil no valor de R$ 600 em 2023, revela uma fonte que participa das negociações.

Essa autoridade, que falou sob condição de anonimato, diz que o plano tem o objetivo de estabelecer uma fonte de financiamento permanente para esse gasto, enquanto técnicos ainda buscam uma solução pelo lado da despesa, já que não há margem no teto de gastos.

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No domingo (24), o presidente Jair Bolsonaro prometeu manter o valor do benefício social em R$ 600 em 2023, se for eleito. Pela emenda constitucional aprovada, os R$ 200 adicionais estão garantidos apenas até dezembro, e o benefício voltaria a ser de R$ 400 no ano que vem.

A equipe econômica estima que fixar o benefício em R$ 600 exija um gasto adicional de até R$ 60 bilhões em 2023 e considera que adotar essa medida é um "desafio considerável" diante do aperto nas contas federais.

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Distribuição de renda

Em setembro de 2021, a Câmara dos Deputados aprovou uma reforma do IR, com um imposto de 15% sobre a distribuição de dividendos, que atualmente são isentos de tributos no Brasil. O texto, entretanto, está travado no Senado.

O governo quer usar a força política de uma eventual reeleição de Bolsonaro para aprovar a medida ainda neste ano. O argumento para convencer os parlamentares será que os mais ricos serão taxados para financiar a distribuição de renda aos mais pobres.

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Instituir um tributo sobre a distribuição de dividendos também está nos planos do PT (Partido dos Trabalhadores), com a justificativa de que é necessário cobrar dos mais ricos. Nesta semana, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, em entrevista, ser necessária uma política tributária no país que taxe lucros.

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Ainda segundo a fonte, a decisão do presidente Bolsonaro de anunciar a manutenção do Auxílio Brasil em R$ 600 foi uma resposta a Lula, que já havia prometido manter o valor, se eleito.

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Segundo o relato, Bolsonaro foi aconselhado a anunciar o programa, desde que encontrasse maneiras de viabilizá-lo sem prejudicar a situação fiscal do país. Argumenta-se que uma ruptura nas contas públicas teria efeito negativo direto sobre câmbio e inflação, atingindo os mais pobres.

Outra ideia que circulou no governo, diz o informante, seria deslocar parte dos recursos de emendas parlamentares para financiar o programa. É um plano de difícil execução, já que mexe com verbas de interesse de deputados e senadores.

Otimismo com o PIB

Mesmo após a revisão para cima da projeção oficial do governo para a atividade econômica, essa fonte afirma que a percepção no Executivo é que o resultado do ano pode ser ainda melhor.

A avaliação é que a retomada sustentada da atividade deve levar o PIB (Produto Interno Bruto) do país a crescer mais de 2% em 2022, com a taxa de expansão podendo chegar a 2,5%.

Neste mês, o Ministério da Economia melhorou a estimativa oficial para o desempenho da atividade econômica no ano, de 1,5% para 2,0%.

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