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Inadimplência sobe e condomínios devem facilitar pagamentos

Especialista sugere melhorar negociação adiando pagamento de juros e multa para estimular moradores a cumprir compromisso atrasado

Economia|Mariana Ghirello, do R7

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Condomínios já sofrem aumento da inadimplência com a quarentena
Condomínios já sofrem aumento da inadimplência com a quarentena

O isolamento social contra o novo coronavíruscomeça a gerar um efeito dominó na economia, e administradoras de condomínios já relatam um crescimento significativo da inadimplência. Para o advogado especialista em Direito Condominial, Rodrigo Karpat o ideal é buscar uma negociação, postergando a cobrança de juros e multa.

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O especialista afirma que a divisão de seu escritório focada na área de cobrança de condomínio teve um aumento na demanda de 80%. Os clientes estão distribuídos pelo país inteiro, contudo, ele destaca que as regiões onde o isolamento social é mais rígido, a inadimplência registra maior alta.

"É um efeito dominó, muitas pessoas perderam o emprego e acabam segurando estes valores para não ficar sem dinheiro para comer. E mesmo aquele que tem condições também segura. Além disso, muitos trabalhadores informais ou autônomos estão impedidos de trabalhar", aponta Karpat.

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Karpat explica que o problema deverá persistir por um longo período porque o problema atinge a sociedade como um todo. A recomendação do especialista é aguardar antes de ingressar com um processo de cobrança judicial, apesar de existir essa possibilidade mesmo na quarentena. 

Para ele, o caminho é tentar o diálogo e postergar o pagamento de juros, multa e correção do valor, para tornar o pagamento mais atraente. "Com 30 dias de atraso mandamos uma carta, se não há um retorno, em 5 dias ligamos. E é importante que o síndico participe deste processo", ressalta.

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Entretanto, Karpat destaca que este tratamento especial não deve ser utilizado para débitos anteriores ao período de isolamento social. 

O advogado alerta ainda sobre um outro ponto que tem causado polêmica nos condomínios, a tentativa de pagar um valor menor já que as áreas comuns estão fechadas. "O condomínio é um rateio das despesas, e não tem relação com o uso das áreas comuns", explica.

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Ele afirma que muitos condomínios têm cortado custos para evitar apresentar uma queda maior na receita. "É fácil ser síndico com dinheiro no banco, mas se a inadimplência crescer, o síndico terá que optar em cancelar ou diminuir serviços", aponta.

E o que tem acontecido é justamente o contrário, conforme conta Karpat. "Durante a quarentena, os condomínios estão com sua ocupação total, algo que quase não acontece já que as pessoas costumam viajar. E isso fez com que a demanda de trabalho dos funcionários e do síndico aumentasse muito".

Trabalho dobrado

A vida do advogado Edson Passos, síndico de um condomínio de alto padrão com 5 torres e 394 apartamentos, na capital de São Paulo, mudou bastante. Trabalhando em home office com a esposa e as filhas, ele ainda precisa atender as demandas de quase 400 famílias, 24 horas por dia, durante sete dias na semana.

"Essa pandemia pegou a todos de surpresa, estávamos acompanhando à distância, mas demoramos para reagir. Logo na primeria semana, fechamos espaços de lazer e sociais, como psicina, academia, salão de jogos, salas de estudos", relata.

Ele conta que a princípio, os moradores aderiram de forma postiva, mas uma minoria se sentiu tolhida e questinou as novas regras. "Uma minoria até ameaçou entrar com processo na justiça alegando restrição no direito de ir e vir", comenta.

Com o passar do tempo, ele precisou tomar medidas ainda mais restritivas. "Eu mantive as quadras abertas, mas as crianças se reuniam e acabavam causando aglomeração. Precisei fechar também estes espaços", acrescenta.

Desde o início do isolamento social, ele já precisou emitir ao menos 25 comunicados com novas regras e informações para os moradores. Além de cuidar da saúde dos trabalhadores, com equipamentos de proteção individual e álcool em gel espalhado em todas as áreas do condomínio.

Assim como o advogado, muitas pessoas precisaram trabalhar de casa, e as reclamações de ruídos aumentaram. "Tivemos que restringir obras, trocas de mobiliários, porque o isolamento somado ao trabalho em casa com toda a família reunida deixou a paciência mais curta", lamenta.

Para Passos, o período têm sido de aprendizado da cultura da empatia e do voluntariado. Apesar de enfrentar pequenos conflitos com moradores que, eventualmente, se negam a cumprir as regras do isolamento, ele acredita que existem muitas iniciativas boas, que surgiram por parte de outros moradores.

"Alguns moradores se organizaram e começaram a preparar marmitas para distribuir para as pessoas em situação de rua. Eles também se organizaram e compraram cestas básicas para os funcionários. Você precisa ser relevante e não olhar apenas para o seu mundo", finaliza.

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