Indústria de máquinas apoia acordo Mercosul–UE, mas alerta para risco de déficit
Entidade diz que acordo pode abrir mercado de 720 milhões de consumidores e defende reformas para aumentar competitividade
Economia|Do R7, em Brasília

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A Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos) divulgou nesta segunda-feira (19) uma nota oficial em que se posiciona de forma favorável ao acordo entre o Mercosul e a União Europeia, mas fez alertas sobre os desafios para a indústria de transformação brasileira, especialmente o setor de máquinas e equipamentos.
Segundo a entidade, o acordo é uma grande oportunidade para ampliar a inserção internacional da indústria brasileira, integrar o país às cadeias globais de valor e ampliar o acesso a mercados.
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A Abimaq destaca que a parceria pode abrir um universo de aproximadamente 720 milhões de consumidores, com um PIB (Produto Interno Bruto) combinado de cerca de US$ 22 trilhões.
Apesar do potencial, a associação afirma que a simples assinatura do tratado não garante aumento das exportações de bens manufaturados do Brasil.
“Sem ganhos efetivos de competitividade, existe o risco de aumento do saldo negativo da balança comercial de manufaturados entre o Brasil e a União Europeia”, diz o texto.
Atualmente, segundo a entidade, enquanto a balança comercial total entre Brasil e União Europeia é próxima de zero, a balança de manufaturados é altamente negativa para o lado brasileiro, com déficit anual que supera US$ 25 bilhões.
Outro ponto central destacado pela associação é a importância das regras de origem, que definem quais produtos podem se beneficiar das tarifas reduzidas.
“A observância das regras de origem assume papel central para assegurar que os benefícios do Acordo sejam direcionados às indústrias efetivamente instaladas nos países do Mercosul e da União Europeia.”
A entidade também chama atenção para os prazos de redução das tarifas de importação. Para o setor de máquinas e equipamentos, a chamada “desgravação” será gradual, com prazos que variam de 10 a 15 anos.
Para a Abimaq, esse período deve ser encarado como uma janela estratégica para o Brasil implementar reformas estruturais que reduzam o custo de produção no país.
“Esse período oferece ao Brasil a oportunidade de mitigar os fatores que aumentam o custo de produção no país: implementar reformas, buscar o equilíbrio macroeconômico, diminuir a complexidade e a carga tributária, melhorar o ambiente jurídico e regulatório, criar condições para a redução estrutural das taxas de juros e fortalecer a competitividade da indústria nacional”, informou.
Na nota, a associação defende que a abertura comercial precisa caminhar de forma equilibrada com uma agenda consistente de reformas internas. Segundo a entidade, apenas com esse conjunto de medidas será possível atrair investimentos, elevar a produtividade, gerar empregos de qualidade e permitir que o Brasil avance na agregação de valor, deixando de ser apenas fornecedor de produtos primários.
Por fim, a associação reforça que os efeitos do acordo serão percebidos no médio e longo prazo e afirma que o sucesso da parceria dependerá diretamente da capacidade do país de transformar o período de transição em ganhos concretos de competitividade para a indústria brasileira.
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