Economia Inflação de 2020 foi maior para famílias de baixa renda, diz BC

Inflação de 2020 foi maior para famílias de baixa renda, diz BC

Autoridade monetária aponta que alta foi causada pelo salto de 10% da alimentação em domicílio para as famílias com renda de até três mínimos

Reuters
População que vive com até 3 mínimos foi a mais afetada

População que vive com até 3 mínimos foi a mais afetada

Pilar Olivares/Reuters - 10.9.2020

O BC (Banco Central) apontou nesta quinta-feira (12) que a inflação acumulada no ano foi maior para as famílias com renda entre um e três salários mínimos em função do maior gasto proporcional com alimentação em domicílio — item que tem mais subido — e da maior variação de preços de serviços e alimentos consumidos nessa faixa de renda.

Segundo a autoridade monetária, em todas as regiões do Brasil as famílias deste grupo foram as mais impactadas pela inflação medida de janeiro a setembro, mas ressalvou que, mesmo para este grupo, "a inflação se encontra em patamar baixo, com variação de 2,29% no acumulado do ano para o país (3,01% em termos anualizados)".

Leia mais: Alimentos representam 60% da inflação dos mais pobres

No grupo de três a dez salários mínimos, a inflação geral até setembro foi calculada em 1,35%. Já entre os que ganham entre 10 e 40 salários mínimos, o percentual ficou em apenas 0,32%.

"Entre os itens que mais pressionaram a inflação das famílias com rendimentos entre um e três salários mínimos no ano de 2020, destacam-se cereais, leguminosas e oleaginosas e leites e derivados, em todas as regiões, e carnes, no Brasil e no Centro-Oeste, Norte e Nordeste", trouxe o BC, em box sobre o tema em seu Boletim Regional publicado nesta manhã.

Ainda pelo recorte regional, o BC destacou que a inflação de alimentos foi mais alta no Norte e no Nordeste, inclusive para a faixa de renda mais baixa, o que sugere efeito do auxílio emergencial mais significativo nessas regiões sobre a demanda desses produtos.

A inflação de serviços, prosseguiu o BC, é mais baixa para a faixa de renda alta e principalmente no Sul e Sudeste, "em parte pela maior participação de itens como passagem aérea, transportes por aplicativos e hospedagem, que foram impactados pela menor mobilidade."

Na média do Brasil, a alta da alimentação em domicílio foi de 10,27% de janeiro a setembro para as famílias de um a três salários mínimos, de 8,92% para as famílias com renda de três a dez salários mínimos e de 8,16% para as famílias com dez a 40 salários mínimos.

A inflação de serviços também subiu mais para os que ganham menos: 0,89% para o primeiro grupo e 0,22% para o segundo. Para as famílias com renda de 10 a 40 salários mínimos, no entanto, houve diminuição de preços de 1,24%.

Últimas