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Investidores repassam a Scalina para a Lupo

Economia|Do R7

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A indústria de meias e roupas íntimas Scalina, mais conhecida pela marca Trifil, foi repassada pelos fundadores da companhia e por dois investidores - o fundo de private equity Carlyle e a empresa de investimentos dos controladores do Grupo Boticário - à rival Lupo. Para os envolvidos, a operação colocará um ponto final em uma série de conflitos e de dificuldades comerciais que se arrastam há mais de cinco anos.

A Lupo confirmou ontem a operação, que ainda depende de aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A empresa, que fatura cerca de R$ 670 milhões e tem 320 unidades, disse que a ideia, pelo menos por enquanto, é manter as marcas funcionando separadamente. A Scalina adiciona cem pontos de venda à operação da Lupo.

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Quando o fundo Carlyle - um dos mais ativos compradores de empresas no País, tendo investido em negócios como CVC, TokStok e Ri-Happy, entre outros - entrou na Scalina, a ideia era mudar o perfil da companhia, que pertencia à família Heilberg. Na época, faturava cerca de R$ 400 milhões.

A meta era, em poucos anos, elevar a receita para cerca de R$ 1 bilhão e multiplicar o número de lojas. Porém, a expansão nunca saiu do papel, nem com a adição dos donos do Boticário - Miguel Krigsner e Artur Grynbaum - à sociedade, em 2011.

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Logo de início, estabeleceram-se conflitos. A família foi retirada do dia a dia da operação, mas os executivos de mercado ficaram pouco tempo na companhia. Segundo uma fonte, a saída abrupta dos Heilberg do negócio teria abalado a relação da Scalina com as lojas multimarca. Embora os pontos de venda próprios fossem a nova estratégia do negócio, as multimarcas representavam, à época, o grosso das receitas.

O objetivo do Carlyle era transformar a companhia em um negócio de varejo, a estratégia nunca foi colocada em prática. Para o fundo, apurou o Estado, a companhia sofria uma dificuldade clara: a de abandonar a mentalidade de indústria para priorizar a demanda dos clientes. Outro projeto aventado foi o oferecimento dos produtos da Scalina nas plataformas de venda direta do Grupo Boticário, ideia que também não se materializou.

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Com tantos problemas para implantar mudanças, os novos investidores acabaram por desistir da operação. Já faz ao menos três anos que a estratégia do fundo era conter as perdas geradas pela operação de meias e lingeries. A dificuldade era encontrar interessados.

O valor do repasse da Scalina à Lupo não foi revelado, mas fontes dizem que se trata de uma fração do que os sócios pagaram por suas fatias em 2010 e 2011. Embora o Carlyle nunca tenha divulgado o quanto pagou pela Scalina, estimativas dizem que o investimento ficou em cerca de R$ 400 milhões.

Procurados, Carlyle e Grupo Boticário não retornaram. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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