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Juro alto vai conter crédito imobiliário pelo menos até 2018

Economia|Do R7

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Por Aluisio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - A expectativa de manutenção da Selic em dois dígitos pelo menos até 2020 deve segurar o ímpeto do financiamento imobiliário no Brasil nos próximos anos, tanto pelo menor volume de recursos da poupança quanto de instrumentos de mercado, segundo especialistas.

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"O ponto de equilíbrio no empréstimo imobiliário é em nível um pouco inferior ao atual, dados os níveis de juros", disse o presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) e diretor de crédito imobiliário do Santander Brasil, Gilberto Duarte.

No ano passado, o volume desembolsado pelos bancos para compra de imóveis pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), maior fonte de recursos para o setor, caiu 33 por cento, a 75,6 bilhões de reais. A previsão da entidade é que esse montante caia para 60 bilhões de reais neste ano e recue para 50 bilhões em 2017. Isso significaria voltar a níveis anteriores a 2010.

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Para Duarte, esse quadro reflete em parte os sucessivos resgates na poupança. Segundo o Banco Central, a caderneta teve saída líquida de 24 bilhões de reais no primeiro trimestre. Isso após resgates de 53,6 bilhões de reais em 2015.

O movimento segue-se ao aumento da Selic desde 2013, que passou da mínima histórica de 7,25 por cento para os atuais 14,25 por cento ao ano. A Selic é uma referência de remuneração para títulos públicos pós-fixados. A poupança oferece 6 por cento ao ano, acrescida de TR.

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Para o presidente da Abecip e diretor do Santander Brasil, a poupança só voltará a ser um investimento competitivo quando a Selic cair para próximo de 10 por cento ao ano. A leitura é que, mesmo com rentabilidade ainda menor, a poupança voltaria a atrair captações, dado que a rentabilidade é isenta de Imposto de Renda.

Pelas projeções mais recentes do mercado colhidas pelo Banco Central no Boletim Focus, a Selic começará um ciclo de queda ainda neste ano, chegando a dezembro em 13,75 por cento. Mas daí em diante, o ritmo de queda será muito suave, caindo para 11 por cento até o fim de 2019 e, para 10,5 por cento em 2020.

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De acordo com Teotônio Rezende, diretor de habitação da Caixa Econômica Federal, maior concessora de empréstimo habitacional do país, o mesmo raciocínio vale para instrumentos de captação de recursos no mercado, que também precisariam oferecer rentabilidades atrativas.

"Enquanto a Selic não voltar a um dígito, o ritmo do mercado não volta a acelerar", disse Rezende.

A própria Caixa tem sido obrigada a lastrear parte dos empréstimos feitos para o setor em papéis de mercado, como as Letras de Crédito Imobiliário (LCI), que têm custo maior, o que tem pressionado suas margens operacionais.

Em relatório emitido na véspera, a agência de classificação de risco de crédito Fitch afirmou que a Caixa já viu suas despesas de provisionamento ultrapassarem o lucro operacional em 2015, o que provocou um prejuízo operacional.

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TAXAS E DISTRATOS MAIORES

Além de enfraquecer a demanda, juros maiores têm assombrado construtoras e incorporadoras com o aumento dos distratos, quando os candidatos a mutuários desistem do contrato de financiamento.

Um levantamento da Abrainc, que representa incorporadoras, em conjunto com a Fipe, mostrou que o total de distratos no último trimestre de 2015 subiu cerca de 20 por cento sobre um ano antes, movimento motivado em parte por juros mais altos.

Segundo o sócio da construtora Plano & Plano, Rodrigo Luna, juros maiores podem comprometer inclusive as operações dentro do programa habitacional federal Minha Casa, Minha Vida. Mesmo financiado com recursos do FGTS, que tem custo de 3 por cento ao ano, a terceira fase do programa, lançado no mês passado, tem taxas de juros maiores para os tomadores.

"Isso vai dificultar o acesso ao programa e reduzir o número de contratações", afirmou Luna em evento nesta semana.

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