Juros do cartão de crédito chegam a 410,97% ao ano em janeiro
Segundo a Anefac, as taxas de juros para o consumidor são as maiores desde 2005
Economia|Do R7

As taxas de juros das operações de crédito voltaram a subir em janeiro deste ano e tiveram a 16ª elevação consecutiva, de acordo com a Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade).
Segundo o diretor de estudos e pesquisas econômicas da associação, Miguel José Ribeiro de Oliveira, essas elevações podem ser atribuídas a fatores como o cenário econômico que aumenta o risco do crescimento nos índices de inadimplência.
— Esse momento se baseia no fato de os índices de inflação estarem mais elevados, com aumento de impostos e juros maiores, que reduzem a renda das famílias. Agregado ao baixo crescimento econômico, deverá promover crescimento dos índices de desemprego. O fato de que as expectativas para 2016 são igualmente negativas quanto a todos estes fatores, leva as instituições financeiras a aumentarem suas taxas de juros para compensar prováveis perdas com a elevação da inadimplência.
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Para os consumidores (pessoa física), o mais pesado é o cartão de crédito. Com taxa de juros anuais de 410,97%, ele é a linha de crédito mais cara entre as seis pesquisadas pela Anefac. Mas não foi a única que subiu de dezembro de 2015 para janeiro deste ano.
Todas as linhas de crédito (juros do comércio, cartão de crédito rotativo, cheque especial, CDC-bancos-financiamento de veículos, empréstimo pessoal-bancos e empréstimo pessoal-financeiras) ficaram mais caras no período.
A taxa de juros média geral para pessoa física apresentou uma elevação de 0,11 ponto percentual no mês (2,96 pontos percentuais no ano) correspondente a uma elevação de 1,46% no mês (2,12% em doze meses), passando de 7,55% ao mês (139,78% ao ano) em dezembro de 2015 para 7,67% ao mês (142,74% ao ano) em janeiro de 2016, sendo esta a maior taxa de juros desde fevereiro de 2005.
O cheque especial ficou em segundo lugar entre as linhas de crédito mais caras para o consumidor, com taxa de 248,34% ao ano. Ele foi seguido pelo empréstimo pessoal-financeiras, que teve juros de 155,76% ao ano em janeiro.
Empresas
Para as empresas (pessoa jurídica), das três linhas de crédito pesquisadas (capital de giro, desconto de duplicatas e conta garantida), todas foram elevadas no mês.
A taxa de juros média geral para pessoa jurídica apresentou uma elevação de 0,06 ponto percentual no mês (1,15 ponto percentual em doze meses), correspondente a uma elevação de 1,41% no mês (1,76% em 12 meses) passando a mesma de 4,27% ao mês (65,16% ao ano) em dezembro de 2015 para 4,33% ao mês (66,31% ao ano) em janeiro de 2016, sendo esta a maior taxa de juros desde fevereiro de 2009.
Taxa de juros x Selic
Considerando todas as elevações da taxa básica de juros (Selic) promovidas pelo Banco Central desde março de 2013, tivemos neste período (março de 2013 a janeiro de 2016) uma elevação da Selic de 7 pontos percentuais (elevação de 96,55%) de 7,25% ao ano em março de 2013 para 14,25% ao ano em janeiro de 2016.
Neste período, a taxa de juros média para pessoa física apresentou uma elevação de 54,77 pontos percentuais (elevação de 62,26%) de 87,97% ao ano em março de 2013 para 142,74% ao ano em janeiro de 2016.
Nas operações de crédito para pessoa jurídica houve uma elevação de 22,73 pontos percentuais (elevação de 52,16%) de 43,58% ao ano em março de 2013 para 66,31% ao ano em janeiro de 2016.
Perspectiva
Tendo em vista o cenário econômico atual que aumenta o risco de elevação dos índices de inadimplência, a tendência é de que as taxas de juros das operações de crédito voltem a ser elevadas nos próximos meses.











