Maiores provisões para calotes pressionam lucro do BB no 3º trimestre
O resultado do período foi abaixo do previsto por especialistas
Economia|Do R7

O Banco do Brasil teve lucro de terceiro trimestre abaixo do previsto por analistas, pressionado pela piora na qualidade da carteira de empréstimos, que levou a um salto nas provisões para inadimplência.
O maior banco do País por ativos informou lucro ajustado do período de R$ 2,881 bilhões, quase estável ante um ano antes e queda de 5,2% na base sequencial. A previsão média de analistas ouvidos pela Reuters era de lucro recorrente de R$ 3,017 bilhões.
Incluindo efeitos extraordinários, o lucro do BB foi de R$ 3,062 bilhões, ante R$ 2,78 bilhões no mesmo trimestre de 2014 e praticamente estável na medição sequencial.
Leia mais sobre Economia e ajuste suas contas
R7 Play: assista à Record onde e quando quiser
A despesa com provisão para calotes foi um destaque negativo do período, com avanço anual de 40%, para R$ 6,4 bilhões. Isso depois do índice de inadimplência acima de 90 dias subir a 2,2%, alta de 0,16 ponto sobre o trimestre anterior e de 0,11 ponto ante igual etapa de 2014.
A piora foi mais acentuada na carteira para empresas, na qual o índice subiu de 2,68% para 3,1% em 12 meses. Os efeitos respingaram sobre as projeções do banco para o segmento, que passaram de expansão de 7% a 11% para 5% a 9% este ano.
Isso mais que compensou efeitos positivos como o repasse de juros maiores a clientes, numa carteira e crédito que cresceu 9,8% em 12 meses, para R$ 804,6 bilhões no conceito ampliado. O destaque positivo foi o financiamento imobiliário (+34%). Na outra ponta, o estoque de empréstimos para empresas médias e pequenas encolheu 6,2% ante setembro de 2014.
O spread líquido nas operações de crédito, a receita que o banco tem com empréstimos descontado o custo de captação e as despesas com provisões para calotes, caiu a 2,4%, queda de 0,1 ponto percentual sobre o trimestre anterior e de 0,2 ponto contra um ano antes.
O BB teve ainda um aumento de 10,1% nas receitas com tarifas, a R$ 6,9 bilhões. O banco também conseguiu manter sob controle as despesas administrativas, que avançaram 6,3% em 12 meses, a R$ 8,55 bilhões.
Mas isso foi pouco para enfrentar os efeitos de uma economia em recessão, que pesou sobre famílias e empresas que tomaram empréstimos do BB nos últimos anos, quando os bancos estatais foram levados pelo governo federal a ir na contramão dos concorrentes privados e ampliar a oferta de financiamentos.
Com isso, a rentabilidade anualizada do BB sobre o patrimônio caiu 2,8 pontos percentuais no conceito ajustado sobre um ano antes, para 13,3%. Sobre o trimestre anterior, o recuo foi de 0,9 ponto. A instituição foi levada a reduzir sua meta de 2015 para esta linha, da faixa de 14% a 17% para a de 13% a 16%.















