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Mansueto admite pressão sobre teto de gastos

Secretário do Tesouro Nacional alertou que permissão implicaria em alongamento da sequência de déficits primários

Economia|Do R7

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Mansueto fez apelo por controle de gastos
Mansueto fez apelo por controle de gastos

O secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, reconheceu nesta quarta-feira (14) a pressão por flexibilização da regra do teto de gastos, mas alertou que eventual permissão para mais gastos implicaria alongamento da sequência de déficits primários, o que pode ser perigoso se o cenário de juros mudar.

Por isso, fez um apelo por maior controle dos gastos obrigatórios, que têm roubado espaço das despesas discricionárias em meio às limitações impostas pelo teto.

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"Pela primeira vez eu estou escutando com insistência de amigos meus muito próximos sugestão de mudança da PEC do teto de gastos. Alguns amigos meus falam que é muito dura, está inviabilizando setor público e que tem que tornar PEC mais flexível", disse ele, a respeito da regra que limita o crescimento dos gastos públicos à inflação do ano anterior.

Mansueto avaliou que uma flexibilização do teto que não fosse acompanhada de aumento da carga tributária --algo refutado pela sociedade-- alongaria, na prática, a sequência de déficits primários já vivida pelo país.

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O governo não tem conseguido economizar para pagar juros da dívida pública desde 2014 e prevê que seguirá no vermelho até 2022, completando 9 anos seguidos com rombos primários.

"O problema é que eu não sei até quando a gente vai ter a bonança que a gente está tendo este ano de juros muito baixos", disse Mansueto em seminário promovido pelo Ministério da Economia.

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Hoje a Selic está em sua mínima histórica de 6% ao ano e a perspectiva é que seja reduzida pelo Banco Central à frente, em meio a um cenário de debilidade econômica e inflação sob controle.

Segundo Mansueto, o Brasil deve pagar em juros da dívida o equivalente ao que arcou quando a dívida bruta batia em 51% do Produto Interno Bruto (PIB), sendo que hoje esse patamar é quase 30 pontos percentuais mais alto. Em junho, a dívida bruta chegou a 78,7% do PIB, segundo dados mais recentes do BC.

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"A gente vai pagar contas de juros que é semelhante ao que era quando a dívida pública era muito menor, mas isso pode se reverter", destacou.

"A realidade dos fatos é que a gente tem um país que tributa muito, gasta muito, não tem capacidade de investimento e ainda tem ajuste fiscal a ser feito. A gente precisa ter isso em mente", completou.

A jornalistas, ele reconheceu que as despesas discricionárias, que são passíveis de corte e que incluem os investimentos feitos pela União, têm sido comprimidas a "um nível mínimo", dentro do dinâmica do teto de gastos, pelo crescimento das despesas obrigatórias, que incluem salários e aposentadorias.

"O debate deve ser o seguinte: quais outras coisas se pode fazer para controlar ainda mais o crescimento da despesa obrigatória", disse.

Mansueto lembrou que, num quadro em que quase 60% da despesa do governo federal é indexada, há aumento do gasto público federal de 30 a 35 bilhões de reais por ano "só por causa da inflação", sugerindo que essa poderia ser uma frente de mudança.

Também presente no evento, o diretor-executivo da Instituição Fiscal Independente do Senado (IFI), Felipe Salto, avaliou que flexibilizar o teto seria "abrir a porta do inferno", representando um abandono daquilo que é, para ele, a única âncora fiscal do país.

"Até que o teto seja descumprido é preciso aguentar a execução desse teto", afirmou ele, ressaltando que a estimativa do IFI é de descumprimento da regra em 2022.

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