Mercado de luxo: por que os relógios suíços se mantêm em alta na era dos smartwatches
Tradição artesanal, precisão e exclusividade ajudam a explicar a permanência da alta relojoaria no mercado
Economia|Do R7

Em meio à ascensão dos “smarts”, vários objetos que antes faziam parte do cotidiano perderam espaço ou foram substituídos por novas tecnologias. Mas os relógios de pulso, especialmente os suíços, continuam disputados, exercendo fascínio e movimentando bilhões.
Segundo dados da Federação da Indústria Relojoeira Suíça, publicados em agosto, as exportações de relógios suíços aumentaram quase 9,6% em julho em comparação ao mesmo período de 2025, atingindo cerca de 2,6 bilhões de francos suíços, o que equivale a aproximadamente R$ 16,68 bilhões.
O desempenho positivo manteve o resultado acumulado em sete meses em território positivo, com acréscimo de 0,9% sobre os primeiros sete meses do ano passado.
Para Sylvio Rolim, especialista em relógios e proprietário da S Rolim, a permanência dos relógios suíços está relacionada a um conjunto de fatores que vai além da tecnologia empregada na fabricação.
“Um relógio de alta relojoaria reúne engenharia, acabamento e conhecimento artesanal acumulado ao longo de gerações. Em determinadas manufaturas, componentes minúsculos ainda recebem acabamento manual, mesmo quando esse trabalho não pode ser percebido a olho nu. É justamente essa combinação entre precisão e tradição que transforma o relógio em um objeto de valor que vai além da sua função”, explica.
O que torna os relógios suíços tão valorizados
A tradição relojoeira suíça está ligada a um ecossistema desenvolvido ao longo de séculos, especialmente na região do “Watch Valley”, onde se concentram fabricantes, fornecedores especializados e profissionais com conhecimento específico em diferentes etapas da produção.
Nesse contexto, o relógio mecânico passa a ter também uma dimensão cultural e colecionável. O comprador não busca apenas a funcionalidade de saber as horas, mas atributos como acabamento, história, exclusividade, engenharia e a possibilidade de preservar uma peça por décadas.
“Não é só uma questão de tecnologia, é de cultura produtiva e de um conhecimento transmitido por gerações dentro das próprias manufaturas. Essa combinação entre herança humana e obsessão técnica é o que torna o relógio suíço genuinamente difícil de replicar, mesmo num mundo em que a tecnologia de fabricação está cada vez mais acessível”, comenta Sylvio.
Mercado secundário amplia acesso à alta relojoaria
Um modelo de alta relojoaria pode ultrapassar facilmente a cifra de R$ 500 mil. O preço elevado, aliado à produção limitada pelas próprias marcas, torna o mercado secundário uma alternativa para obter peças raras e pode fazer dos seminovos uma porta de entrada para o universo dos relógios suíços.
Modelos de marcas como Rolex, Omega e TAG Heuer chegam a valer entre 30% e 70% do preço de varejo, porém é preciso tomar alguns cuidados na hora de comprar alta relojoaria de segunda mão.
1. Verifique a documentação e a procedência
Caixa, documentos, certificado de garantia, nota fiscal e número de série, quando disponíveis, podem ajudar na verificação da procedência da peça. A ausência de algum desses itens não significa, por si só, que o relógio seja falso, mas exige uma análise mais cuidadosa antes da compra.
“Em uma aquisição de alto valor, não basta olhar apenas para a aparência externa. É importante verificar a procedência e, sempre que possível, contar com uma avaliação especializada”, orienta Sylvio.
2. Desconfie de preços muito abaixo do mercado
Preços muito abaixo daqueles normalmente encontrados para determinado modelo merecem atenção. “O mercado secundário tem uma lógica própria de precificação. Em minha experiência, um Rolex Submariner seminovo em bom estado dificilmente estará disponível por menos de 60% do valor de um novo, por exemplo. Se parece bom demais para ser verdade, na maioria dos casos não é verdade”, alerta o especialista.
3. Faça uma avaliação técnica antes da compra
Uma avaliação realizada por um relojoeiro qualificado ou empresa especializada pode ajudar a identificar sinais de adulteração, verificar a autenticidade do movimento e identificar eventuais componentes substituídos.
A análise também permite avaliar as condições gerais da peça e pode evitar prejuízos relacionados à compra de relógios falsificados ou modificados.
4. Fuja de transações sem contrato ou comprovante
Toda compra de um bem de alto valor precisa de respaldo documental, o que inclui nota fiscal, recibo detalhado com descrição da peça e número de série e/ou contrato de compra e venda.
Além de contribuir para a comprovação da procedência, esses registros podem ser importantes para futuras negociações, manutenção, seguro ou eventual revenda.
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